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sábado, 31 de janeiro de 2009

Não matar a sustentabilidade

Num momento de ajustes drásticos diante da crise financeira, afora os reflexos mais visíveis, existem outras conseqüências que podem desorientar governos, sistemas produtivos e a sociedade. O conceito de sustentabilidade que tem impulsionado o uso das energias renováveis, modificado padrões de consumo, estimulado o uso racional dos recursos naturais, pode estar correndo o risco de ser engavetado.

Entretanto, uma nova esperança surge de onde menos se esperava. Justamente, do país responsável pelo consumo de 25% de toda a energia do globo, com sua matriz energética composta em 80% por energia fóssil (carvão, petróleo e gás natural), o maior emissor de gases poluentes do mundo, que nos últimos oito anos renegou o Protocolo de Kyoto – os EUA.

Entre as primeiras atitudes do presidente Barak Obama, merece nosso aplauso medidas como autorizar os estados a adotarem limites mais rígidos para emissão de poluentes de carros e caminhões, cobrar a redução no consumo de combustível e o aspecto ambiental do seu plano de estímulo econômico de US$ 825 bilhões. Segundo ele, serão criados 460 mil “empregos verdes”, relacionados à indústria de energia limpa, e a expectativa é de que os EUA dobrem a sua capacidade de geração de energia alternativa, dentro dos próximos três anos.

Diante deste novo paradigma, o Brasil precisa manter o compromisso com a sustentabilidade, investir nas fontes renováveis de energia, tal como pretendo fazer agora na discussão da MP 450, de forma a ampliar a participação das biomassa na nossa matriz energética.

Perseverar no esforço de disseminação do Programa do Biodiesel; na eliminação dos altos teores de enxofre no diesel; na implantação de políticas públicas voltadas para a ecoeficiência (seja na área energética, no uso racional dos recursos hídricos, nas construções verdes e etc); na aprovação de uma Política Nacional de Resíduos Sólidos; além de reiterar os compromissos com as mudanças climáticas, estabelecendo metas de diminuição de emissão de poluentes e de combate ao desmatamento desenfreado.

Desta maneira, estaríamos nos antecipando à proposta da União Européia (UE) para um novo acordo que substituirá o Protocolo de Kyoto, a partir de 2013. Nela, o Brasil e outros países emergentes terão de se comprometer a cumprir metas detalhadas de redução de emissões de CO2, entre 15% a 30% até 2020, e do desmatamento em 50% até 2020, para ter acesso aos financiamentos para o combate das mudanças climáticas e do desmatamento de florestas.

Já existem iniciativas importantes nos diversos setores da nossa economia, mas ainda isoladas, que merecem ser melhor respaldadas pelo poder público.

O BNDES anunciou a criação de uma diretoria de meio ambiente, responsável pela gestão do Fundo da Amazônia, que já conta este ano com US$ 150 milhões doados pela Noruega, que se comprometeu a doar um total de US$ 1 bilhão até 2015. Além disso, a instituição vai apoiar 34 projetos de cooperativas de catadores de material reciclado, no valor de R$ 23 milhões, o que resultará na criação de 2,3 mil postos de trabalho e aumento de 45% na renda médias dos cooperados.

No setor produtivo, os empresários já perceberam que companhias mais éticas, mais transparentes, mais solidárias e mais comprometidas em gerar riqueza real sem prejudicar as pessoas e o meio ambiente, terão um lugar cativo no comércio internacional, em que certificações socioambientais deixarão de ser uma exceção para se tornar regra no mercado globalizado.

Estas são algumas das demonstrações concretas que devemos intensificar daqui por diante. Afinal, por mais grave que seja a crise financeira, ela certamente é passageira e o conceito de sustentabilidade deve ser perene e definitivo.

Arnaldo Jardim é deputado federal (PPS-SP), membro da Subcomissão da Política Nacional de Eficiência Energética e da Frente Parlamentar Ambientalista.


http://www.reporterdiario.com.br/index.php?id=117245&secao=5

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