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domingo, 17 de janeiro de 2010

Inovar e construir

Tenho insistido em chamar a atenção para dois problemas que devem merecer absoluta prioridade nas preocupações do atual governo, que entra no último ano de mandato, e dos que vão estar no comando a partir de 2011. O crescimento da economia mundial pós-crise vai se realizar em meio a uma verdadeira revolução nas formas de energia hoje utilizadas na produção industrial e da agricultura. Seus efeitos serão profundos no modo de vida das sociedades. Ela está em processo muito mais acelerado do que a maioria das pessoas percebe, a partir da substituição da energia fóssil pelas fontes alternativas desenvolvidas em tempos recentes.

O Brasil, como os demais países, terá que se adaptar às novas condições e, na medida do possível, antecipar-se às mudanças naquelas áreas em que já demonstrou sua capacidade de inovação, como no setor de transportes, onde a revolução já é uma realidade e não apenas com o etanol para carros, ônibus e caminhões. Há pesquisas que vão maturando no desenvolvimento do carro elétrico e em motores a hidrogênio, aqui e no resto do mundo.

Foi a crença na capacidade brasileira que levou o Estado-Indutor há 40 anos a criar a Embrapa e a garantir recursos para os investimentos em inovação tecnológica que permitiram a grande revolução na produtividade de nossa agricultura e a conquista do “estado da arte”com as pesquisas dos combustíveis renováveis.

Nesta nova revolução, sabemos que vamos precisar muito mais do que a força da agropecuária e do desenvolvimento dos setores minerais. Ambos seguirão importantíssimos, mas não podemos ignorar o fato que são atividades poupadoras de mão-de-obra à cada dia cedendo mais espaço para a mecanização. A indústria e serviços responderão pelos empregos que vão absorver a mão-de-obra liberada daqueles setores e dos novos que se apresentarão no mercado de trabalho.

Até 1920, teremos uma população superior a 200 milhões, que precisará de uma economia capaz de garantir empregos a 145 milhões de brasileiros entre 15 e 65 anos. Nesses dez anos, nosso problema será construir uma estrutura produtiva industrial suficientemente diversificada e capaz de competir com vantagem nos mercados interno e externos para oferecer empregos decentes à todos os que os procurarem. Ela terá que alcançar um grau de sofisticação paralelo ao que o país alcançou, em vários aspectos, na atividade agro-pastoril.

O papel do Estado-Indutor será decisivo na medida em que souber cooptar os setores privados e direcionar seus investimentos pesadamente para o desenvolvimento tecnológico, com prioridade aos setores inovadores no campo da energia. Porque ninguém se iluda, a mudança nas formas de utilização da energia nos processos de produção industrial será profunda.

A segunda fonte de preocupação é tão óbvia que quase não é preciso citá-la. Trata-se da construção da infra-estrutura física do País: para sustentar o crescimento do PIB de 5% a 6% anuais que se espera para esta década, o país precisa reconstruir o que foi abandonado há trinta anos em matéria de transportes e voltar a construir as hidrelétricas que nos permitirão manter a matriz energética mais limpa e econômica do planeta terra.


O autor, Antonio Delfim Netto, é professor emérito da FEA-USP, ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento - e-mail: contatodelfimnetto@terra.com.br

http://www.jcnet.com.br/detalhe_opiniao.php?codigo=174618

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