Professores, pesquisadores, profissionais e interessados em informações e discussões de assuntos relacionados ao setor elétrico, ao mercado de energia elétrica e aos aspectos profissionais da engenharia.

ÚLTIMAS

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Data Centers - A hora de fazer a diferença

O tema de eficiência energética nos data centers vem ganhando cada vez mais espaço na agenda dos gestores das áreas de tecnologia da informação e infraestrutura. O mapeamento e a redução da emissão de gás carbônico é importante na estratégia de sustentabilidade das empresas, mas ainda não é a principal motivação para o investimento na melhoria da eficiência energética nesses ambientes.

Como na maioria dos negócios existentes, o apelo de redução de custo operacional e, conseqüentemente, aumento da competitividade da empresa no mercado segue sendo o argumento mais forte. Apesar de ainda não ser a mola propulsora de mudanças, a não-emissão de carbono na atmosfera certamente crescerá em importância num futuro próximo.

A cada dia, a sociedade (consumidores e governos) exige das empresas produtos ou serviços que demonstrem preocupação com o meio ambiente, especialmente com o rastro ou a marca (footprint, em inglês) deixada pelo CO2 no planeta. E a adoção desse tipo de solução verde ou não será uma métrica de avaliação que o mercado usará cada vez mais, trazendo a diminuição de emissão de carbono para o papel de destaque, ficando a redução de custo como valor agregado.

Pode parecer estranho pensarmos que existem desperdícios de energia em um data center, local que concentra tecnologias de última geração. Mas, infelizmente, a realidade é que este ambiente é, muitas vezes, tão ou mais ineficiente do que outros mais tradicionais. Alcançar reduções de consumo de energia da ordem de 15 a 20%, com certeza, causam muito impacto nos orçamentos empresariais e também para o planeta.

E este potencial – entre 15 e 20% - é o mínimo que temos observado ser passível de implementação nas diversas auditoriais de energia realizadas em data centers, independente do tamanho, região ou caracterísitica de ocupação e operação. Então, o que fazer? Antes de mais nada é preciso entender que cada data center é um ambiente único e que quanto mais informações tivermos sobre ele, melhor será a resposta às suas demandas. Porém existem ações mais gerais que podem ajudar muito no quesito da eficiência energética.

O ponto de partida é fazer um levantamento de dados sobre o consumo de TI e da infraestrutura do data center. As causas para o desperdício de energia podem ser muitas, mas o maior agravante é quando várias delas aparecem simultaneamente, o que potencializa o problema. Só para citar algumas das mais comumente encontradas:

- Falta de planejamento na ocupação da área ou ocupação da área divergente do projeto original do data center;

- Compra de equipamentos de infraestrutura de tecnologia inferior sem avaliar o custo operacional, cujo impacto somente será sentido anos mais tarde;

- Erros de projetos conceituais com a conexão inadequada das necessidades de crescimento de TI - que tem um ciclo de refresh tecnológico de 4 a 5 anos – e o da infraestrutura do data center - que tem um ciclo 3 a 4 vezes maior;

- Falta de informação sobre consumo de energia da infraestrutura e da área de TI do data center;

- Layouts de racks e sistemas de refrigeração inadequados;

- Servidores subutilizados em sua capacidade de processamento útil;

- Falta de controle das diversas temperaturas usadas como referência pelo sistema de refrigeração;

- Existência de zonas de calor no data center que alteram a performance do sistema de refrigeração;

- Uso de servidores com fontes de perdas elevadas;

- Uso de no breaks com perdas elevadas;

- Falta de um sistema de monitoramento e automação unificado;

- Diversas barreiras físicas sob o piso elevado que impedem o fluxo do ar para refrigeração.

A maioria dos itens acima tem algum tipo de solução de implementação rápida e com retorno de curtíssimo prazo. Algumas iniciativas simples são: revisão do layout do Data Center utilizando as melhores práticas do mercado e visando melhorar a performance do sistema de refrigeração, tais como, revisão das temperaturas do sistema de ar condicionado, remoção das barreiras físicas sob o piso elevado e criação de zonas de alta densidade com tratamento específico de refrigeração. Além disso, vale considerar a consolidação e virtualização dos servidores subutilizados.

Algumas destas soluções trazem retornos superiores a 40% na redução de consumo de energia e muitas vezes ao serem implementadas em conjunto é possível ter economias superiores a 60% no uso da energia. Apesar desses ganhos consideráveis, é necessário entender que não existe uma única resposta para a questão de eficiência energética nos data centers.

E que ações de médio e longo prazos devem ser consideradas mediante uma análise individual de cada ambiente para se encontar a solução mais adequada. Mas, o mais importante é não ficar paralisado esperando aprovações de ações de longo prazo e de maior custo, optando sim por implementar pequenas mudanças, com a devida avaliação técnica, que podem contribuir significativamente e imediatamente para o nosso meio ambiente.

Cada pequena ação, executada adequadamente, significa redução no consumo energético dos data centers e, claro, menos gás carbônico na atmosfera. Mesmo sabendo que a redução de custos ainda é o principal motivador da eficiência energética, vale a pena pensar nela em termos de iniciativas que contribuem para um planeta melhor. Eu faço isso no meu dia a dia, a cada apresentação, a cada novo projeto que trabalho, a cada discussão sobre este tema e posso garantir que o retorno profissional é muito positivo e o pessoal, fantástico.

*Carlos Pane é executivo de serviços para data center da IBM Brasil

http://convergenciadigital.uol.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=22606&sid=15

About ""

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vivamus suscipit, augue quis mattis gravida, est dolor elementum felis, sed vehicula metus quam a mi. Praesent dolor felis, consectetur nec convallis vitae.
 
Copyright © 2013 Mercado de Energia Elétrica