Professores, pesquisadores, profissionais e interessados em informações e discussões de assuntos relacionados ao setor elétrico, ao mercado de energia elétrica e aos aspectos profissionais da engenharia.

ÚLTIMAS

domingo, 22 de agosto de 2010

Os candidatos e a política ambiental

Nas eleições de 2006, pouco foi proposto e discutido pelos candidatos à presidência no que se refere à temática ambiental. Por sua vez, nesta corrida presidencial, pode-se perceber que os principais candidatos inseriram claramente, em suas campanhas políticas, discursos relacionados ao meio ambiente. Cada candidato aborda de forma distinta o assunto, contudo a principal mensagem que recebemos desse fato é uma prova do crescente interesse da sociedade sobre pontos ambientais.

O candidato à presidência pelo PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil), José Serra, afirma que “é possível fazer o País crescer e defender nosso meio ambiente, preservar as florestas, a qualidade do ar, a contenção das emissões de gás carbônico. É dever urgente dar a todos os brasileiros saneamento básico, que também é meio ambiente. Água encanada de boa qualidade, esgoto coletado e tratado não são luxo. São essenciais. São Saúde. São cidadania. A economia verde é, ao contrário do que pensam alguns, uma possibilidade promissora para o Brasil.Temos muito por fazer e muito que progredir, e vamos fazê-lo”.

A candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Roussef, assegura em sua campanha que “irá fortalecer a proteção ao meio ambiente, reduzindo o desmatamento e impulsionando a matriz energética mais limpa do mundo; mantendo a vanguarda nacional na produção de biocombustíveis e desenvolvendo nosso potencial hidrelétrico; e cumprindo as metas voluntárias assumidas na Conferência do Clima, haja ou não acordo internacional”.

Já a candidata Marina Silva, do PV (Partido Verde), embasa todo seu programa de governo no princípio do desenvolvimento sustentável, comprometendo-se com soluções políticas, econômicas, sociais e culturais para o mundo pós-carbono. Ademais, anuncia um futuro possível, em meio às ameaças da crise ambiental planetária.

Lendo rapidamente as três propostas destes candidatos, nota-se que os candidatos do PSDB e do PT abordam a temática de maneira simples e sucinta, não abordando profundamente assuntos que estão em pauta nas atuais discussões nacionais e globais, tais como: saneamento básico (brevemente mencionado na proposta de José Serra), uso e tratamento de resíduos sólidos, conservação da biodiversidade, incentivo de empregos verdes, gestão estratégica de recursos naturais renováveis (ex: água doce, floresta) e não renováveis (ex: petróleo, gás e recursos minerais), agronegócio sustentável, desastres naturais (enchentes, desabamentos), dentre diversos outros.

A candidata do PV traz em seu plano menções um pouco mais profundas, contudo ainda necessita apresentar melhor o meios para alcançarmos o desenvolvimento sustentável partindo do atual estágio socioeconômico do Brasil.

Em comparação com as campanhas de políticos em outros países, nota-se que no Brasil as campanhas não estão acompanhando a tendência mundial, principalmente no que tange ao estabelecimento de objetivos mensuráveis. Um exemplo disso seria a campanha realizada em 2008 pelo atual presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, que propôs, entre outros pontos, que 25 por cento da eletricidade dos Estados Unidos viessem de fontes renováveis até 2025, e que houvesse investimento de US$ 150 bilhões nos próximos 10 anos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) para energias renováveis, biocombustíveis, eficiência, "carvão limpo" e outras tecnologias limpas. Na Europa investimentos em tecnologias ambientalmente corretas e geração de empregos “verdes” já faz parte da agenda político-eleitoral desde a década de 90.

No Brasil essas eleições apresentam-se como um marco, contudo é indiscutível a necessidade de promover uma discussão ampla e estratégica sobre a variável ambiental no planejamento do País de maneira mais firme e voltada as necessidades da sociedade. Torna-se, assim, indispensável o entendimento de que a política ambiental transcende a governos, é estratégica, e influencia não só a economia como também a qualidade de vida de todos os cidadãos do Brasil.

Por Ernesto Cavasin Neto, especialista em Sustentabilidade empresarial, Gerente Executivo da PricewaterhouseCoopers, Membro do Conselho da Associação Brasileira das Empresas do Mercado de Carbono. Com a colaboração de Ana Lia Touso e Daniela Ariolli. Especialista em Sustentabilidade empresarial da PricewaterhouseCoopers.

http://economia.ig.com.br/artigos/os+candidatos+e+a+politica+ambiental/a1237753765953.html

About ""

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Vivamus suscipit, augue quis mattis gravida, est dolor elementum felis, sed vehicula metus quam a mi. Praesent dolor felis, consectetur nec convallis vitae.
 
Copyright © 2013 Mercado de Energia Elétrica