A mão-de-obra envolvida na construção da usina termelétrica Energia Pecém deve saltar de cinco mil funcionários para seis mil trabalhadores nos próximos dois meses. Por conta da greve dos empregados nos primeiros meses do ano, afirma o presidente do empreendimento, Carlos Baldi, foi adotada, além da ampliação da mão-de-obra, a utilização do terceiro turno para a realização dos serviços. Com início de operação previsto para o último trimestre do ano, a usina deverá produzir 5.500 gigawatts por ano - equivalente a uma média de 70% do total de energia consumida em todo o Ceará.
Impactos
Conforme o diretor de operações da MPX Marcus Temke, a implantação da termelétrica deverá trazer, entre outros impactos para o Estado, uma atração significativa de empregos. A cada emprego direto criado, disse, três trabalhos indiretos serão gerados. "O Ceará sai dessa obra com um empreendimento que vai melhorar a segurança energética do estado, vai alavancar o uso do Porto do Pecém, que foi um dos motivos que nos trouxe para cá, e vai viabilizar as obras do Cipp (Complexo Industrial e Portuário do Pecém), além de promover um processo capacitação da mão-de-obra aqui", afirmou.
Ao todo, informou, serão criados 120 empregos na manutenção da usina. Marcus Temke destacou que uma obra como a usina termelétrica é uma "novidade" no Ceará. Segundo Carlos Baldi, 78% das obras de construção da termelétrica - resultado de uma parceria entre a empresa MPX, do empresário Eike Batista, e o grupo português EDP- estão concluídas. R$ 3,4 bilhões foram investidos no empreendimento. A usina termelétrica, acrescentou, tem potência de 720 megawatts - energia suficiente para abastecer uma cidade com uma população aproximada de 5,6 milhões.
COM TECNOLOGIA
Empresas defendem utilização do carvão
Avanços tecnológicos que minimizam danos ao ambiente e facilidade para obter insumo são vantagens apontadas
Ao mesmo tempo em que o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, defende que fontes de energia renováveis, consideradas "mais limpas", sejam priorizadas, em detrimento de fontes cuja exploração pode resultar em graves impactos ambientais, empresas envolvidas na construção da Usina Termelétrica Energia Pecém, que deverá consumir dois milhões de toneladas de carvão por ano, explicam a utilização do insumo principalmente através da necessidade de "diversificar" as fontes de energia de que o País dispõe.
"Poluição minimizada"
De acordo com o diretor executivo da EDP, Álvaro de Sousa, o emprego de termelétricas a carvão - caso estas incorporem técnicas que minimizem a poluição -, além de tornar mais amplo o leque de fontes de energia, pode vir a "complementar" outras formas de geração de energia e viabilizar os investimentos necessários para se criar usinas eólicas, por exemplo. "Essa combinação harmoniosa é uma linha estratégica importante".
Resíduos no subsolo
As chaminés da termelétrica, disse, reterão 99% dos poluentes gerados. Os resíduos, disse, serão armazenados sob o solo - protegidos por telas que impedirão a contaminação da terra - até que haja a possibilidade de reaproveitar os poluentes em alguma atividade que não agrida o ambiente.
Chuvas ácidas
Além disso, informou, a usina conta com equipamentos que removerão óxidos de enxofre dos gases, evitando a ocorrência de chuvas ácidas. Uma vantagem da utilização do carvão, justifica o presidente do empreendimento, Carlos Baldi, é o fato de o material poder ser adquirido com relativa facilidade. Entre os fornecedores do insumo, destaca a Venezuela, Colômbia e os EUA.

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