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quinta-feira, 23 de abril de 2015

Crises hídrica e energética e a alternativa

As crises hídrica e energética que assolam o Brasil têm origens e pesos diferentes. Sabemos que apenas 9% do consumo de água é residencial. O agronegócio consome 71% com a irrigação, a agricultura familiar utiliza 12%, e a indústria, 7%. Segundo a ONU, basta uma redução de 10% do uso da água na agricultura para abastecer o dobro da população mundial. As secas cíclicas e a modernização no manejo na agricultura têm exigido o aumento da área irrigada e, em consequência, mais demanda por energia.

 

Um segmento onde há enorme carência tecnológica é o da irrigação de arroz. O Estado irriga 1,5 milhão de hectares de arroz, com uma média de 2,5 litros por segundo por hectare. Isto significa uma demanda de cerca de 3.750 metros cúbicos de água por segundo e um consumo de energia em torno de 600 megawatts. A maioria das estações de bombeamento opera com baixíssima eficiência hidroenergética, inferior a 50%, uma perda de mais de 40% de energia elétrica.

 

São 250 megawatts desperdiçados. Multiplique isso para o Brasil, que tem mais de 30 milhões de hectares irrigáveis! Mais de 40% da água tratada no País é desperdiçada. Para tratar, é necessário o uso proporcional de energia. Ou seja, 40% da energia também está sendo desperdiçada e outros 30% estão se perdendo em adutoras antigas. Uma das alternativas é a criação de um Plano Nacional de Eficiência Energética. Administrado pela Aneel, este projeto teria a participação dos grandes consumidores de energia, como siderúrgicas, companhias de saneamento, indústrias de papel e celulose e produtores agrícolas. Seriam destinadas linhas de crédito, através do Bndes e com juros subsidiados, para a troca de equipamentos antigos por novos processos e tecnologias. Esta redução de custo seria repassada para o consumidor. O Brasil atacaria dois dos grandes dilemas que vive hoje: a crescente demanda por energia elétrica e a deficiência no abastecimento de água.

 

Membro da Fiergs/Ciergs e do Sindimetal/SL

http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=194466

 

 

Atenciosamente

 

Alexandre Kellermann

Alexandre.kellermann@gmail.com

 

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