O mercado de trabalho tem se transformado bastante nas últimas décadas. O tempo de permanência dentro de uma empresa é uma das mudanças mais visíveis na cultura trabalhista. Se antes era comum criar anos de carreira num mesmo negócio, atualmente as gerações mais novas encaram o mercado de trabalho de uma maneira diferente.
Adquirir novas experiências ou conseguir uma melhor colocação profissional são motivos que levam os jovens a procurarem novas oportunidades de trabalho. Enquanto as empresas enfrentam com isso o aumento na rotatividade, os empregados se preocupam mais é em como passar uma boa imagem profissional.
Ficar um período pequeno demais em cada emprego pode ser encarado como um defeito no currículo do profissional. Por isso, descobrir o tempo adequado para permanecer dentro de uma mesma empresa é um dos desafios que os jovens ainda precisam lidar. Para esclarecer um pouco mais sobre como esses profissionais devem encarar a troca de emprego, o Noticenter consultou o especialista em gestão estratégica e humana da SBA Associados, César Zabot.
Quando se trata de permanência dentro de uma única empresa, o consultor avalia que não existe um tempo determinado. A decisão do profissional costuma depender de muitas variáveis.
“O tempo varia em relação a uma série de fatores a serem considerados, tais como idade, formação, especialização, oportunidades de carreira, situação econômica e financeira da empresa”, avalia o consultor.
Entretanto, para o profissional não ser encarado com restrição pelos empregadores e gestores de Recursos Humanos, Zabot diz que o mercado costuma ver com bons olhos quem permanece de três a quatro anos numa mesma empresa.
Mas o período ideal desempenhado em uma única função não é tudo que os jovens precisam para crescer profissionalmente e correr atrás de novas oportunidades. O consultor da SBA alerta que o tempo de trabalho é uma das características menos importantes quando se quer construir uma carreira. Antes de tudo, quem deseja crescer precisa agregar valor ao seu currículo.
“É preciso se autodesenvolver, mostrar interesse de crescer, chamar para si a responsabilidade sobre outras atribuições, aproveitar o momento e se preparar bem para o mercado. Terão melhores oportunidades aqueles que apresentarem currículos mais diversificados”, explica o consultor.
Outra dica de César Zabot é a procura por empresas que possuem um programa de retenção de talentos, como geralmente é o caso das multinacionais. De acordo com o consultor, essas empresas contam com um modelo de carreira bem feito, que prevê amplitude salarial e é baseado em boas práticas de mercado.
Por outro lado, é importante que o profissional saiba gerir a própria carreira. De acordo com Zabot, um grande erro que a maioria dos profissionais comete é deixar exclusivamente para a gestão da empresa a administração da própria carreira.
Há também aquelas empresas que bonificam os funcionários de acordo com os trabalhos desempenhados. Nesse caso, a psicologa e consultora Giovana Tensini de Aguiar explica que, para alcançar seu objetivo, o profissional precisa conhecer os critérios aplicados para avaliação na empresa em que atua.
"Caso a empresa tenha essa avaliação, o funcionário deve se basear no que ela leva em conta e quais os critérios. É importante também considerar o tempo que se está na empresa para que as coisas aconteçam”, afirma Giovana.
Como as empresas devem lidar com o novo mercado de trabalho
Oferecer um planejamento de carreira é uma das opções que as empresas têm para encarar o novo cenário de trabalho. César Zabot explica que essa ferramenta de gestão é fundamental para a perpetuação de todo negócio. Além disso, é necessário a transparência na relação com os funcionários em todos os níveis do negócio, possibilitando que qualquer situação seja tratada com naturalidade.
O consultor explica que empresas sem gestão de planejamento de carreira normalmente têm muita dificuldade para administrar uma saída de um funcionário, principalmente se ele desempenha uma função chave. E ao contrário do que costuma acontecer, não é neste momento que a empresa deve comprar a permanência do profissional.
“Antes de pedir demissão na empresa, o funcionário normalmente compartilha sua decisão com familiares, amigos e colegas de trabalho. Voltar atrás é muito difícil, demonstra para o seu grupo de relacionamento fraqueza e instabilidade. Cedo ou tarde o mercado ficará sabendo”.
Ao tratar do troca-troca de funcionários, o consultor destaca que um pequeno percentual de rotatividade é uma forma de oxigenação da estrutura funcional. Porém, investir na retenção também vale a pena.
“Manter profissionais que já tenham conhecimento da cultura da empresa, seus objetivos e as tarefas a serem desempenhadas é um objetivo primordial de qualquer executivo. Além disto, rotatividade aumenta os custos com a mão de obra. Mais encargos e custos com recrutamento e seleção”.
Atenciosamente
Alexandre Kellermann
Alexandre.kellermann@gmail.com

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