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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Consumo de eletricidade aumentou 191 mil euros em três anos

Energaia deu a conhecer a informação recolhida, as ações postas em prática e projetou o futuro da sustentabilidade energética na cidade

A “Eficiência energética na cidade de S. João da Madeira” esteve à conversa no dia 20 de maio, quarta-feira passada, pelas 21h30, na Torre da Oliva.

O presidente da câmara, Ricardo Figueiredo, reconheceu que a eficiência energética terá “um papel muito importante” nas contas da câmara sanjoanense devido “ao balanço difícil entre a despesa e a receita corrente em energia”. Os planos do edil passam ainda pelo “plano ambiental porque estamos a diminuir a nossa pegada de carbono”.

A Energaia – Associação de Energia do Sul da Área Metropolitana do Porto contou com a colaboração da câmara sanjoanense para a construção deste “estudo bastante alargado com a vantagem estratégica,” na área da eficiência energética, em pontos estratégicos da cidade sanjoanense. Ricardo Figueiredo vê no Portugal 2020 “uma oportunidade para começar um novo ciclo em que estes investimentos são uma prioridade em S. João da Madeira”.

A equipa da Energaia através de João Encarnação e Sérgio Gandarela, gestores de projetos, e Luís Castanheira, diretor executivo, deu a conhecer a informação recolhida, as ações postas em prática e projetou o futuro da sustentabilidade energética em S. João da Madeira.

O Observatório de Sustentabilidade é uma ferramenta que permite aos municípios o acesso simplificado a contratos, a estruturas e a monitorizações.

Os objetivos são “promover a melhoria da sustentabilidade territorial, reduzir encargos municipais, simplificar processos técnicos e administrativos e a base de processo de comunicação e sensibilização”, disse João Encarnação. A exportação de dados é “um mecanismo útil” por concentrar informação essencial para as candidaturas a fundos comunitários. Por sua vez, a monitorização pretende “alertar para problemáticas ambientais e energéticos, adoção de comportamentos que levem à redução de consumos e ações de eficiência energética e a sua validação”, informou o gestor de projetos da Energaia. O sistema piloto de monitorização em tempo real está instalado na Oliva Creative Factory. Caso a experiência seja positiva será planeada a instalação de mais sistemas em instalações municipais.

Os resultados do observatório preveem “a anulação de consumos de energia reativa, anulação de contratos, diagnósticos/auditorias energéticas às instalações que apresentam maior consumo e o procedimento concursal de aquisição de energia em mercado liberalizado”, concluiu aos presentes.

Oliva Creative Factory custa 155 mil euros anuais

A Sustentabilidade Energética em S. João da Madeira foi analisada através de ações de eficiência energética postas em prática na Estação de Tratamento de Água (ETA) dos Ribeiros, em alguns edifícios municipais e nas EB1/JI.

A ETA dos Ribeiros produz 971,587 metros cúbicos de água tratada por ano, consome 1.068.253 quilowatts-hora (kWh) de energia elétrica e custa 169.625 euros em energia elétrica acrescidos de 136.864 euros de Valor Acrescentado Bruto (VAB).

A Energaia apresentou nove medidas cujo investimento de 155.463 euros permitiria a poupança energética de 276.786 kWh e uma poupança económica de 75.680 euros com um retorno de investimento numa média de dois anos. Umas medidas são baratas, outras mais caras, com diferentes poupanças energéticas e económicas e com retornos de investimento desde o imediato até seis anos. Desta forma, a câmara tem a possibilidade de escolher e aplicar cada uma delas consoante as suas necessidades e capacidades económicas.

As baterias de condensadores para a compensação de fator de potência foram usadas em três edifícios municipais com custos significativos, de junho de 2011 a julho de 2012, para reduzir os custos com energia reativa indutiva.

O Museu de Chapelaria registava 3.387 euros em energia indutiva consumida e a Biblioteca Municipal 1.655 euros que passaram a um custo zero depois da aplicação das baterias de condensadores. Os Paços da Cultura inscreviam 2.791 euros em energia indutiva consumida que passaram para 106 euros, permitindo uma poupança de 2.648 euros. A instalação de baterias de condensadores nestes três edifícios permitiu uma poupança de 7.690 euros anuais em energia indutiva consumida à câmara sanjoanense.

A Oliva Creative Factory (OCF) agrega o Núcleo de Arte da Oliva, o Centro de Arte, a Escola de Dança, a Incubadora, o Business Centre e Lojas e a Sala dos Fornos numa área de 14.727 metros quadrados. O consumo de energia elétrica é de 885.075 kWh e o custo é de 129.250 euros anuais. Já o consumo de gás é de 328.699 kWh e o custo é de 26.984 euros anuais. A OCF, feitas as contas, tem um custo de eletricidade e de gás na ordem dos 155.335 euros anuais para a câmara sanjoanense.

A Energaia apresentou cinco medidas dotadas de um investimento de 5.777 euros que permite uma poupança energética de 57.138 kWh e económica de 5.445 euros anuais com retorno de investimento ao fim de um ano. A primeira medida é a otimização da iluminação do Núcleo de Arte que pode ser concretizada em três cenários. O mais viável será o cenário “b” que consiste em desligar 1/3 dos projetores e manter o cenário atual de segurança porque o investimento é nulo mas permite uma poupança de 26.122 kWh e de 2.596 euros anuais com retorno de investimento imediato.

As outras soluções são viáveis mas implicam capacidade de investimento para poderem obter uma poupança energética e económica ainda maior. Essas são a otimização da iluminação exterior para fins de segurança, regulação dos detetores de movimento e desligar lâmpadas desnecessárias, colocação de novos detetores de movimento e luminosidade e substituição de T8 por LED.

As 13 EB1/JI analisadas registaram um consumo energético de 272.974 kWh com um custo de 63.684 euros e um consumo de gás natural de 695.659 kWh com um custo de 58.721 euros. Os valores podem diminuir com a substituição de lâmpadas T8 e balastros ferromagnéticos por lâmpadas LED nas salas de aula e com a otimização dos consumos de água.

Iluminação Pública é a prioridade

O futuro da sustentabilidade energética passa pela diminuição da evolução do consumo de energia elétrica.

Uma luta difícil de travar porque o consumo de energia elétrica aumentou 191.595,13 euros (51.894,56 euros entre 2012 e 2013 e 139.700,57 euros entre 2013 e 2014) nos últimos três anos na cidade. Tendo como base os consumos obtidos no observatório e nas faturas da OCF, a energia elétrica tinha um consumo de 5.197,118 kWh e um custo de 845.221,26 euros em 2012. O valor do consumo passou para 5.387,440 kWh e 897.115,82 euros em 2013, subindo para 5.909,530 kWh e 1.036.816,39 euros em 2014.

Uma das prioridades da câmara é a Iluminação Pública (IP) com a “substituição de luminárias ineficientes por equipamentos com melhor capacidade de reflexão e necessidade de fontes de luz de menor potência”, disse Luís Castanheira.

A IP representou no ano passado mais de 20% dos consumos que com o investimento de 267.304 euros pode alcançar uma poupança de 46.800 euros anuais. Os pontos de ação no Complexo Desportivo Paulo Pinto ainda estão maioritariamente sob avaliação da equipa da Energaia.

Luís Castanheira terminou a apresentação com o Plano de Ação para a Sustentabilidade Energética Municipal porque é “o documento chave em que o município salienta a forma como pretende atingir a sua meta de redução de consumos energéticos e emissões de CO2 até a um horizonte temporal”.

“Fundos comunitários não são para a eficiência energética”

Uma das intervenções do público veio de Pedro Fonseca Santos, vereador socialista, que entende que “a intervenção deverá ser mais abrangente do que a Iluminação Pública”. Lançou o desafio à Energaia de apostar mais na mobilidade, quem sabe com um teste nos oito quilómetros quadrados sanjoanenses para mais tarde apostar numa cidade de maiores dimensões. Pedro Fonseca Santos apelou ao “acelerar de ações porque precisamos de resultados”, bem como convidou a Energaia a colaborar com a comissão de trabalho para a definição da estratégia de eficiência energética da cidade.

Por sua vez, Joaquim Borges Gouveia, professor catedrático na Universidade de Aveiro e Presidente do Conselho de Administração da Energaia, disse: “a sustentabilidade é uma palavra muito complexa” pelo que “os fundos comunitários não vão ser para a eficiência energética devido à complexidade das candidaturas”. As câmaras devem “construir um projeto e seguir em frente”, aconselhou aos presentes.

No entender de Joaquim Borges Gouveia, “cada caso deverá ser analisado e só depois tomada a decisão da forma como se avançará” porque “esperar pelo financiamento comunitário deverá ter em conta o prazo, normalmente muito alargado entre a candidatura e o recebimento dos dinheiros do projeto”. Logo, “se houver uma solução rápida e segura, deverá ser implementada de forma direta sem recurso a financiamentos comunitários”, concluiu.

Por: Diana Familiar

http://www.labor.pt/noticia.asp?idEdicao=473&id=23604&idSeccao=4787&Action=noticia

 

 

Atenciosamente

 

Alexandre Kellermann

Alexandre.kellermann@gmail.com

 

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