terça-feira, 5 de maio de 2015 00:06 EDT
Fazenda eólica em Rivas, na Nicarágua, país que tem investido em diferentes formas de energia renovável. John Otis/The Wall Street Journa
A brisa constante que movimenta turbinas eólicas na Nicarágua está ajudando a tornar o país menos dependente do petróleo da Venezuela — e aproximá-lo da visão dos Estados Unidos para a região.
Mas, nos últimos anos, a Nicarágua deu impulso à produção de energia renovável e agora produz metade da energia que consome por meio de campos eólicos, hidrelétricas e usinas geotérmicas que fazem uso de vulcões. E seu governo de esquerda, aliado do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, espera que fontes renováveis respondam por 80% das necessidades de energia até 2020.
“Nós sempre dissemos que não podemos depender da ajuda de apenas um país”, diz Bayardo Arce, principal assessor econômico do presidente Daniel Ortega e ex-guerrilheiro sandinista durante o período revolucionário do país. “Então, começamos a promover investimentos em energia renovável.”
O momento é favorável à estratégia da Nicarágua: a Venezuela está reduzindo exportações de petróleo em meio à crise econômica e os EUA estão incentivando a migração da região para energias renováveis, em sua política de aproximação dos países do Caribe. Essa estratégia inclui a reabertura de relações com Cuba pelo governo de Barack Obama e o projeto de lei do Congresso americano para abrir embaixadas em cinco capitais da região.
Com a economia venezuelana devendo recuar estimados 7% este ano e enfrentando um déficit de financiamentos de US$ 26 bilhões, o país reduziu em 40% os embarques de petróleo para certos destinos, segundo a Petro-Logistics SA, consultoria suíça que monitora a movimentação de petroleiros.
Num momento em que a forte queda nos preços do produto poderia alimentar a dependência da região ao petróleo importado, alguns membros do chamado programa Petrocaribe estão agora acatando os conselhos do governo americano e de bancos multilaterais, entre eles o Banco Mundial, e investindo a economia feita com o petróleo mais barato em energia limpa.
Em janeiro, o vice-presidente dos EUA, Joe Biden, incentivou a mudança em um encontro de energia realizado em Washington que contou com quase todos os líderes de governo do Caribe. Depois, durante uma viagem à Jamaica em abril, o presidente Obama anunciou a criação de um fundo de US$ 20 milhões para projetos de energia renovável em estágio inicial na região.
“As pessoas estão usando essa calmaria nos preços do petróleo para tomar decisões sérias sobre sua segurança energética”, diz Mark Lambrides, especialista sênior em energia no Caribe do Banco Mundial.
A estratégia dos EUA provocou uma reação violenta de Maduro, que recentemente acusou o país de querer desestabilizar seu governo. “A força imperial do norte [...] começou a falar a governos do hemisfério anunciando a derrubada do meu governo”, disse Maduro num discurso.
A Nicarágua dependeu por muito tempo de petróleo importado para 80% do seu consumo energético, uma despesa expressiva para o segundo país mais pobre do hemisfério, depois do Haiti. A Nicarágua também não possuía usinas térmicas para transformar o petróleo em eletricidade, resultando em apagões que limitaram o crescimento em meados dos anos 2000.
Mas o país conta com águas quentes perto de Telíca, um dos 19 vulcões da Nicarágua, além de rios turbulentos, muito sol e vastas plantações de cana-de-açúcar para fornecer biomassa. Para utilizar toda essa energia natural, o governo aprovou, em 2005, uma lei de subsídios fiscais para empresas que investissem em fontes renováveis.
No ano seguinte, Ortega, que liderou o governo sandinista na década de 80, foi eleito presidente e a Venezuela começou a exportar para o país 11 milhões de barris de petróleo subsidiado por ano. Ainda assim, Ortega, um homem pragmático e a favor do mercado apesar da retórica revolucionária, buscou investimentos estrangeiros em renováveis.
“A Nicarágua fez progressos surpreendentes”, diz Alexis Arthur, associado de política energética do centro de estudos Instituto das Américas, dos EUA.
Este país de seis milhões de pessoas, que já foi devastado pela guerra civil, agora atrai empresas como a americana Ram Power, RPG.T -50.00% Ram Power Corp. Canada: Toronto $0.01 -0.01 -50.00% 05 mai 2015 10:59 Volume (Atrasada 15m) : 2,866 Relação P/L N/A Valor de mercado $3.71 Million Rendimento do dividendo N/A Faturamento por empregado $450,989 0.0100.0080.0060.00410a11a12p1p2p3p Mais detalhes da cotação da ação e notícias » RPG.T in Seu valor Seu câmbio Posição a descoberto que já investiu mais de US$ 400 milhões na usina geotérmica Polaris. Situada perto do vulcão Telíca, a usina produz 10% da energia do país. No leste, um consórcio de empresas brasileiras está construindo a usina hidrelétrica de Tumarín, orçada em US$ 1,1 bilhão, que deve ser completada em 2019 e responder por 20% do suprimento energético do país. Perto da cidade de Rivas, dezenas de turbinas eólicas se estendem pelas margens do Lago Nicarágua, que corta metade do país e cria um tipo de túnel de vento constante.
Outros países caribenhos também estão mudando para os renováveis. “As motivações primárias são diferentes daquelas da Dinamarca ou Noruega, economias ricas e desenvolvidas que estão fazendo isso como bons cidadãos globais motivados pela redução das emissões de gases do efeito estufa”, diz Lambrides, do Banco Mundial.
http://br.wsj.com/articles/SB11935710102469723655204580621261275835710?tesla=y
Atenciosamente
Alexandre Kellermann
Alexandre.kellermann@gmail.com



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