Crédito de Carbono, o Brasil como fonte geradora Aquecimento global, Protocolo de Kioto, crédito de carbono, expressões que ouvimos quase que diariamente por meio dos veículos de comunicação, das empresas, dos políticos e dos formadores de opinião. Porém, quando indagamos O que é crédito de carbono?, paira uma dúvida no ar.
Para que possamos entender os critérios para a comercialização de créditos de carbono temos de percorrer um caminho estrutural para validar esse potencial que o Brasil tem em relação a esse mecanismo, que, a médio e longo prazo, pode agregar valor à imagem do País, das empresas e do respeito ao meio ambiente.
O aquecimento global é proveniente do desenvolvimento industrial desenfreado, seu principal gerador é o consumo de combustíveis fósseis. Os gases eliminados neste processo (dióxido de carbono, metano e óxido de azoto) interfirem na camada de ozônio e conseqüentemente a temperatura na Terra vem aumentando de maneira gradual e constante.
Diante disso, realiza-se, em 1988, em Toronto, no Canadá, a primeira de uma seqüência de reuniões internacionais que culminaram no Protocolo de Kioto. Em 13 de dezembro de 1997, em Kioto no Japão, foi adotado o protocolo no qual os países industrializados se comprometeram a reduzir, até o período 2008-2012, os índices de emissões de gases em pelo menos 5% em relação aos níveis verificados em 1990.
Os países signatários do protocolo devem praticar o desenvolvimento sustentável, tendo como objetivos, entre outros, aumentar a eficiência energética, reduzir a emissão de gases, e promover formas sustentáveis de agricultura.
Dentre os agentes poluidores, o carbono é o principal deles, juntamente com outros gases como dióxido de carbono (CO2), metano (CH4), óxido nitroso (N2O), hexafluoreto de enxofre (SF6) e a família dos perfluorcarbonetos e hidrofluorcarbonos.
O Mercado de Carbono surgiu junto com o protocolo de Kioto e, em essência, é um certificado que autoriza alguns países a poluir, ou seja, os países que não atingirem suas metas de redução de emissões podem adquirir esses créditos de outros países por meio de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL), Emission Trade, comercialização de créditos entre países e Joint Implementation, que é a implementação de projetos de créditos de carbono pela empresa.
Os projetos de MDL podem ser divididos em grupos: fontes renováveis e alternativas de energia; eficiência ou conservação de energia; reflorestamento e estabelecimento de novas florestas; projetos de aterros, projetos agropecuários e melhorias nas tecnologias industriais.
Para se comercializar os créditos de carbono é possível utilizar três modelos: o unilateral, no qual as empresas, após a emissão dos créditos, comercializam de acordo com as variáveis do mercado, conforme a demanda; o modelo bilateral, no qual as empresas que necessitam de créditos operacionalizam projetos de MDL junto a países em desenvolvimento e os implementam. Por último, o modelo multilateral: nele as companhias enviam seus projetos para a BM&F (Bolsa de Mercadorias e Futuros) onde, após sua aprovação, os interessados poderão fazer ofertas para comprá-los, já que atualmente os créditos são comercializados no mercado à vista.
O Brasil ocupa hoje o terceiro lugar na criação de projetos de MDL. Além disso, também é líder no volume de projetos de crédito de carbono na ONU. Esse mercado já movimentou US$ 377 milhões em 2004 e, em 2005, mais US$ 9,4 bilhões. A expectativa é que, em 2012, o valor desse mercado esteja em aproximadamente US$ 30 bilhões.
O Brasil ainda está trilhando seu caminho neste mercado promissor e, ao mesmo tempo, inovador do ponto de vista de negócios e de valor agregado. A evolução desse mercado será crescente e as empresas terão de se adaptar a essa nova realidade implementando novas formas de gestão e de responsabilidades no tocante a negócios.
*Alcides Cruz Junior, professor de Administração da Universidade Anhembi Morumbi. É pós-graduado em Marketing e Propaganda na ESPM, graduado em Marketing e Propaganda na ESPM e Relações Públicas pela FIAM, implementou o primeiro projeto de Marketing Ambiental nos anos 90 e atualmente é consultor de marketing verde e de gestão organizacional com foco em comunicação corporativa.
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