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domingo, 18 de outubro de 2026

Panorama do Mercado de Energia Elétrica - Edição Especial — 28 de setembro a 18 de outubro de 2026

A nova agenda do setor elétrico: demanda, redes e inteligência operacional
Nas últimas três semanas, diferentes acontecimentos reforçaram uma mesma tendência: o setor elétrico brasileiro está entrando em uma fase na qual a expansão da geração precisa ser acompanhada por avanços na infraestrutura, nos modelos computacionais e nos mecanismos de coordenação do mercado.
O crescimento do consumo, a ampliação da geração distribuída, as dificuldades de acesso à transmissão e os cortes de geração renovável mostram que a transformação do setor não depende apenas da instalação de novas usinas. Depende também da capacidade de integrar os recursos disponíveis, transportar a energia até os centros de consumo e coordenar decisões operacionais e comerciais.
Três movimentos merecem destaque neste período: a pressão crescente sobre a infraestrutura elétrica, a evolução das regras para administrar as restrições do sistema e a modernização dos instrumentos utilizados no planejamento e na operação.

1. Demanda em expansão: o sistema precisa acompanhar o crescimento
Consumo de eletricidade cresce 4,3% em agosto
A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) informou que o consumo nacional de eletricidade alcançou 47.856 GWh em agosto de 2026, crescimento de 4,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior.
O avanço foi especialmente expressivo nos segmentos comercial e residencial, enquanto o mercado livre respondeu por 46,7% do consumo nacional.
Os dados demonstram que o crescimento da demanda ocorre simultaneamente à transformação do ambiente de contratação. Uma parcela crescente do consumo é atendida no mercado livre, enquanto a geração distribuída altera o volume de energia efetivamente demandado da rede de distribuição.
Essa combinação exige análises mais detalhadas do que as proporcionadas pelo consumo agregado. Para o planejamento, importa saber não apenas quanto a demanda cresce, mas também onde, em quais horários e com que perfil de utilização da infraestrutura.
Geração distribuída ganha participação no mercado de distribuição
Os dados do Painel Mercado de Distribuição da EPE indicam que a energia injetada pela micro e minigeração distribuída cresceu 41,8% em 2025, com projeção de novo avanço em 2026.
A geração distribuída modifica a relação tradicional entre distribuidora e consumidor: instalações que antes eram predominantemente consumidoras passam também a injetar energia na rede, em horários que nem sempre coincidem com os períodos de maior demanda local.
Esse fenômeno aumenta a importância das curvas de carga, das medições, da gestão dos fluxos bidirecionais e da coordenação entre geração centralizada e distribuída.
A expansão da geração próxima ao consumo pode reduzir determinadas necessidades de suprimento pela rede, mas seus efeitos dependem da localização, da coincidência temporal entre produção e demanda e da capacidade da infraestrutura local.

2. Transmissão: a conexão torna-se um recurso estratégico
Nova política de acesso procura organizar a utilização da capacidade disponível
A ANEEL avançou na adaptação das regras de acesso à transmissão à Política Nacional de Acesso ao Sistema de Transmissão (PNAST), por meio da Consulta Pública nº 36/2026.
O novo enfoque busca organizar solicitações em temporadas de acesso e permitir avaliações conjuntas quando a capacidade disponível não é suficiente para atender a todos os interessados.
A mudança é relevante para empreendimentos que necessitam de grandes blocos de potência, como data centers, instalações industriais e projetos de geração. A capacidade de produzir ou consumir energia não assegura, por si só, que exista infraestrutura disponível para conectar o empreendimento no local e no prazo pretendidos.
O acesso à transmissão passa, portanto, a exigir planejamento antecipado, critérios transparentes e maior coordenação entre expansão da rede, implantação de projetos e evolução da demanda.
A questão central é econômica e regulatória: como utilizar a capacidade existente de forma eficiente sem comprometer a previsibilidade necessária aos investimentos?
Leilões de transmissão continuam essenciais para a expansão do sistema
A aprovação do Leilão de Transmissão nº 4/2026, com previsão de aproximadamente R$ 8,9 bilhões em investimentos, reforça a importância da expansão física da rede.
Novas linhas, subestações e transformadores ampliam a capacidade de transportar energia e conectar empreendimentos. Entretanto, os prazos de implantação da transmissão podem ser longos, o que torna necessário antecipar as necessidades futuras do sistema.
O planejamento deve considerar não apenas a expansão das usinas, mas também a localização das novas cargas, o crescimento da geração distribuída, os pontos de congestionamento e as necessidades de reforço da infraestrutura.
A combinação entre planejamento de longo prazo e regras de acesso mais organizadas será decisiva para reduzir o risco de projetos atrasados por limitações de conexão.

3. Curtailment: da compensação passada às regras para o futuro
ANEEL aprova critérios para organizar os cortes de geração
A aprovação de uma nova regra para ordenar cortes obrigatórios de geração renovável foi um dos acontecimentos regulatórios mais importantes do período.
O curtailment ocorre quando uma usina deixa de produzir ou injetar toda a energia que poderia gerar por determinação operativa ou por restrições do sistema. Entre as causas possíveis estão limitações de transmissão, razões de confiabilidade e condições de excesso de oferta.
O problema ganhou relevância com a expansão da geração eólica e solar, cujas produções dependem das condições meteorológicas e podem se concentrar em períodos nos quais a demanda ou a capacidade de escoamento são insuficientes.
A definição de critérios de corte mais transparentes pode melhorar a previsibilidade para os agentes, mas não elimina a causa física das restrições. A redução estrutural do problema exige uma combinação de expansão da transmissão, melhor coordenação operativa, armazenamento e maior flexibilidade da demanda.
Compensação de eventos passados exige tratamento distinto
A divulgação da lista de usinas potencialmente elegíveis à compensação por cortes ocorridos entre setembro de 2023 e novembro de 2025 representou outra etapa do processo regulatório.
É importante distinguir dois assuntos: a compensação de eventos passados, sujeita às condições legais e aos procedimentos aplicáveis, e a regulamentação dos cortes futuros.
O primeiro procura tratar consequências econômicas de ocorrências anteriores. O segundo estabelece critérios para a operação daqui em diante.
Essa distinção é fundamental para avaliar os efeitos financeiros sobre geradores e comercializadores e evitar a interpretação de que a compensação retroativa elimina o risco de cortes em novos empreendimentos.
Fontes: ANEEL e CCEE.

4. Armazenamento: a tecnologia precisa encontrar seu modelo econômico
Baterias e usinas reversíveis ampliam as alternativas de flexibilidade
As iniciativas regulatórias relacionadas ao armazenamento mostram que o setor começa a tratar essa tecnologia como um recurso potencialmente importante para a operação do sistema.
Baterias eletroquímicas e usinas hidrelétricas reversíveis possuem características distintas de potência, duração, eficiência, localização e tempo de resposta. Por isso, não devem ser avaliadas como soluções equivalentes para todos os problemas.
As baterias podem responder rapidamente e prestar serviços operativos, além de deslocar energia entre horários. As usinas reversíveis podem oferecer armazenamento de maior duração, dependendo da configuração e das condições do empreendimento.
A viabilidade de cada alternativa depende do serviço contratado, dos requisitos técnicos, das condições de conexão e do modelo de remuneração.
O desafio regulatório é definir produtos e contratos que permitam remunerar adequadamente os serviços prestados, evitando tanto a contratação de capacidade desnecessária quanto a subvalorização de recursos úteis à confiabilidade do sistema.
O armazenamento não substitui a expansão da rede
Embora possa contribuir para reduzir determinadas restrições, o armazenamento não elimina a necessidade de transmissão e distribuição. Uma bateria instalada em local inadequado pode não resolver o congestionamento que impede a entrega de energia em outra região.
A avaliação econômica deve considerar a localização do recurso, o perfil horário dos preços, os custos de conexão, os serviços efetivamente prestados e as regras de operação.
A discussão sobre armazenamento deve, portanto, ser conduzida em conjunto com o planejamento da rede e a análise das necessidades operativas, e não apenas com base no custo dos equipamentos.

5. Modelos computacionais: a qualidade da operação depende da qualidade da representação
EPE, CCEE e ONS avançam em modelo computacional de código aberto
O desenvolvimento de um novo modelo computacional em código aberto por EPE, CCEE e ONS aponta para uma frente importante de modernização do setor.
Os modelos utilizados no planejamento, na programação da operação e na formação de preços precisam representar adequadamente as condições do sistema, as restrições físicas, a disponibilidade dos recursos e as decisões operacionais.
Uma ferramenta de código aberto pode favorecer a transparência metodológica, a colaboração técnica e a verificação independente. Esses benefícios, contudo, dependem de governança, documentação, validação e procedimentos rigorosos de controle de versões.
A divulgação do desenvolvimento não significa que a ferramenta já substitua os modelos atualmente utilizados. O acompanhamento deve considerar o estágio do projeto, os testes realizados e a forma como uma eventual adoção será coordenada com os processos oficiais.
Resposta da demanda expõe os limites da integração entre operação e mercado
O adiamento da incorporação da resposta da demanda aos modelos computacionais de formação de preços evidencia outra dificuldade: um recurso pode ter potencial técnico relevante e, ainda assim, exigir aperfeiçoamentos antes de ser representado adequadamente nos instrumentos utilizados na operação.
A resposta da demanda permite que consumidores reduzam, desloquem ou ajustem seu consumo conforme as condições do sistema e os incentivos econômicos. Seu potencial depende de medição, verificação de desempenho, regras de participação e mecanismos de remuneração.
A integração aos modelos precisa assegurar que o recurso seja representado de forma consistente, sem comprometer a estabilidade dos procedimentos computacionais e a transparência da formação de preços.
O caso mostra que a modernização do setor não depende apenas de novas tecnologias físicas. Também exige aperfeiçoamento dos modelos matemáticos, dos dados e das regras de mercado.
Fontes: EPE, CCEE e ONS.

6. O Mundo: grandes cargas e modernização das redes
Data centers colocam o planejamento elétrico sob nova pressão
A expansão internacional dos data centers e das aplicações de inteligência artificial está aumentando a necessidade de antecipar o crescimento de cargas de grande porte.
O debate regulatório nos Estados Unidos ilustra a dificuldade de conciliar novos empreendimentos, confiabilidade do sistema e utilização eficiente da infraestrutura existente. A localização e o cronograma de entrada em operação desses consumidores podem influenciar os investimentos necessários em geração e transmissão.
O problema não se resume ao consumo anual de energia. Grandes cargas também apresentam requisitos de potência, continuidade e conexão que precisam ser considerados no planejamento.
Para o Brasil, a experiência internacional reforça a necessidade de integrar os projetos de grandes consumidores aos estudos de expansão da rede e aos processos de acesso à transmissão.
A eletrificação pode impulsionar a atividade econômica e abrir novas oportunidades para o setor elétrico. Para que isso ocorra de maneira sustentável, a expansão das cargas deve ser acompanhada por investimentos e regras compatíveis com a segurança e a eficiência do sistema.

Indicadores do período
Indicador
Valor
Relevância
Consumo nacional em agosto
47.856 GWh
Expansão da demanda elétrica
Crescimento anual do consumo
4,3%
Pressão sobre o planejamento
Investimentos previstos no leilão de transmissão
R$ 8,9 bilhões
Ampliação da infraestrutura
Prazo previsto para a aplicação definitiva da nova regra de curtailment
18 meses após a publicação
Transição regulatória e operacional
Os indicadores têm datas-base e naturezas distintas; devem ser interpretados conforme a publicação de origem.

Radar do Setor
Nos próximos meses, merecem acompanhamento:

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Panorama do Mercado de Energia Elétrica — Edição Especial
Período: 28 de setembro a 18 de outubro de 2026


Sandro Geraldo Bagattoli


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domingo, 27 de setembro de 2026

💡Panorama do Mercado de Energia Elétrica - Edição 44 — 21 a 27 de setembro de 2026


A eletrificação avança — e a integração passa a ser o novo desafio
O setor elétrico brasileiro entrou em uma fase em que o crescimento da oferta já não explica sozinho os movimentos mais importantes do mercado. A expansão da geração distribuída, a abertura do mercado, o crescimento de novas cargas e a necessidade de maior flexibilidade estão colocando a rede, os modelos de operação e os mecanismos de mercado no centro das decisões.
Nesta semana, esse movimento ficou particularmente evidente: a ANEEL adiou a incorporação da resposta da demanda aos modelos computacionais de formação de preços; a EPE mostrou o avanço da geração distribuída no mercado de distribuição; e um novo leilão de transmissão foi confirmado com R$ 8,9 bilhões em investimentos.
No cenário internacional, a IEA sintetizou a transformação em dois novos estudos: estamos entrando em uma “Era da Eletricidade”, enquanto as redes precisam ser modernizadas para acompanhar essa mudança.

1. Mercado em Movimento
ANEEL adia integração da resposta da demanda aos modelos de formação de preços
A ANEEL decidiu, em 22 de setembro, adiar a aprovação da representação do Programa de Resposta da Demanda na cadeia de modelos computacionais utilizada na operação do sistema e na formação do preço da energia.
A decisão não significa abandono do mecanismo. O ONS e a CCEE terão 90 dias para aperfeiçoar os mecanismos de divulgação e transparência do programa e deverão continuar os estudos necessários para sua futura representação nos modelos.
O principal obstáculo identificado foi computacional. Segundo as análises apresentadas à Agência, a inclusão da resposta da demanda poderia aumentar a complexidade e o tempo de processamento do DESSEM, em um ambiente operacional que já apresenta maior complexidade e maior frequência de acionamentos de contingência.
O episódio é relevante porque evidencia uma questão que tende a ganhar importância: não basta criar um recurso de flexibilidade; é necessário incorporá-lo adequadamente aos modelos que coordenam a operação e formam os preços.
A decisão ocorre poucos dias depois de a EPE estimar em 8,8 GW o potencial técnico de resposta da demanda no Brasil.

2. Transmissão e Infraestrutura
ANEEL confirma novo leilão de transmissão com R$ 8,9 bilhões em investimentos
A ANEEL aprovou o edital do Leilão de Transmissão nº 4/2026, marcado para 30 de outubro, na B3, em São Paulo.
O certame prevê oito lotes em sete estados, com 1.866 km de novas linhas e seccionamentos, continuidade de 483 km de linhas existentes e 12.694 MVA de capacidade de transformação. O investimento estimado é de R$ 8,9 bilhões.
Os empreendimentos serão instalados na Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. Os prazos previstos para conclusão variam de 42 a 60 meses.
O leilão reforça uma característica que vem aparecendo nas últimas edições do Panorama: a expansão da geração precisa ser acompanhada pela expansão da infraestrutura que permite transportar, conectar e controlar a eletricidade.
Esse aspecto ganha ainda mais importância diante do crescimento da geração solar, dos novos consumidores livres e de cargas de grande porte.

3. Distribuição e Mercado Livre
MMGD poderá representar 21,2% do mercado cativo em 2026
A EPE publicou a edição 2026 do Painel Mercado de Distribuição, trazendo dados atualizados sobre consumo, mercado cativo e livre, geração distribuída e perdas na distribuição.
Segundo as informações fornecidas pelas distribuidoras, a energia injetada pela micro e minigeração distribuída (MMGD) cresceu 41,8% em 2025, equivalente a 16,2 TWh adicionais.
Para 2026, as distribuidoras projetam crescimento de mais 18,1%, ou aproximadamente 10 TWh.
Com isso, a energia injetada pela MMGD deverá representar 21,2% do mercado cativo em 2026, contra 17,8% em 2025.
O painel também indica avanço da participação do mercado livre no mercado de distribuição: de 39,9% em 2025 para uma expectativa de 41,2% em 2026.
Os números mostram que a transformação do mercado elétrico ocorre simultaneamente em duas frentes: a geração está se tornando mais distribuída e o consumo está migrando progressivamente para o ambiente livre. Isso aumenta a importância da qualidade dos dados de distribuição, das curvas de carga e da capacidade das redes de acomodar fluxos bidirecionais.

4. Regulação e Tarifas
Outubro terá bandeira verde após meses de sinalização amarela
A ANEEL confirmou, em 25 de setembro, bandeira verde para outubro, eliminando a cobrança adicional na conta de energia dos consumidores.
A mudança ocorre após a melhora das condições de geração, especialmente com o início da transição para o período úmido em parte das principais bacias hidrográficas do país. Segundo a Agência, o aumento das chuvas contribuiu para estabilizar os níveis dos reservatórios e reduzir a necessidade de despacho de termelétricas de maior custo.
A decisão encerra, ao menos temporariamente, uma sequência de meses com bandeira amarela.
O movimento também mostra a diferença entre o sinal tarifário de curto prazo e a estrutura de custos do setor. Mesmo com a bandeira verde em outubro, a terceira edição do InfoTarifas, publicada na semana anterior, apontava efeito médio tarifário de 9,4% para 2026, considerando os diversos componentes das tarifas.

5. O Mundo
IEA: redes elétricas entram no centro da nova “Era da Eletricidade”
A Agência Internacional de Energia publicou nesta semana dois estudos que ajudam a interpretar a transformação pela qual passa o setor elétrico mundial.
O relatório “Modernising Grids in the Age of Electricity”, publicado em 21 de setembro, destaca que a expansão das redes precisa ocorrer simultaneamente à utilização mais eficiente da infraestrutura existente. A IEA aponta tecnologias digitais, inteligência artificial, sistemas de monitoramento, controle avançado e grid-enhancing technologies como ferramentas para aumentar a capacidade e a flexibilidade das redes existentes.
No dia seguinte, a Agência publicou o relatório “Electrification”, segundo o qual a demanda mundial por eletricidade cresceu mais de duas vezes mais rapidamente que o consumo total de energia desde 2019.
A IEA projeta que a demanda de eletricidade continuará crescendo fortemente, impulsionada por veículos elétricos, climatização, indústria, data centers e inteligência artificial.
O ponto comum entre os dois estudos é particularmente relevante para o Brasil: eletrificar a economia significa aumentar a importância estratégica da rede elétrica. A questão deixa de ser apenas quanto de energia será produzida e passa a envolver onde ela será produzida, onde será consumida, em que horário e com que capacidade de flexibilidade.

Indicador da Semana
21,2%
É a participação estimada pela EPE para a energia injetada pela MMGD no mercado cativo brasileiro em 2026.
O indicador é especialmente interessante porque demonstra que a geração distribuída já deixou de ser apenas um fenômeno marginal da distribuição. Ao mesmo tempo em que cresce a geração centralizada conectada à transmissão, uma parcela cada vez maior da energia passa a ser produzida próxima ao consumidor.

Acompanhamento

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Panorama do Mercado de Energia Elétrica — Edição 44
Semana de 21 a 27 de setembro de 2026


Sandro Geraldo Bagattoli


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domingo, 20 de setembro de 2026

PANORAMA DO MERCADO DE ENERGIA ELÉTRICA - Edição 43 — 14 a 20 de setembro de 2026

Segue a edição referente à semana efetivamente encerrada em 20/09/2026, com o eixo editorial definido a partir das notícias identificadas no período.
Resposta da demanda, flexibilidade e novas exigências para a rede elétrica
Editorial da Semana
A semana evidenciou uma mudança importante na lógica de planejamento do setor elétrico brasileiro: a expansão da oferta continua relevante, mas a capacidade de modular o consumo, armazenar energia e operar redes mais inteligentes passa a ocupar posição central.
O estudo da EPE sobre resposta da demanda, a discussão sobre modelos de operação das distribuidoras e os novos desafios associados à conexão de grandes cargas indicam que a flexibilidade poderá se tornar um recurso tão estratégico quanto a construção de novas usinas e linhas de transmissão.

1. EPE estima potencial de 8,8 GW para a resposta da demanda no Brasil
A Empresa de Pesquisa Energética — EPE publicou, em 18 de setembro, uma nota técnica que estima em 8,8 GW o potencial técnico de resposta da demanda no Brasil.
A resposta da demanda permite que consumidores reduzam, desloquem ou ajustem temporariamente seu consumo em reação a sinais econômicos ou operativos. O recurso pode contribuir para diminuir picos de carga, reduzir a necessidade de contratação de capacidade adicional e melhorar a integração de fontes variáveis, como solar e eólica.
A EPE também propõe aprimoramentos regulatórios e de mercado para ampliar a participação desse recurso no sistema elétrico.
Análise: o dado de 8,8 GW é expressivo porque desloca o debate da flexibilidade exclusivamente pelo lado da oferta. Consumidores industriais, comerciais e agregadores poderão assumir papel mais ativo na operação do sistema, desde que existam mecanismos de remuneração, medição, comunicação e controle adequados.

2. ANEEL revoga outorgas de 500 MW em projetos solares da Sowitec
A ANEEL revogou, em 18 de setembro, autorizações relacionadas a projetos solares da empresa alemã Sowitec que somavam aproximadamente 500 MW.
A medida está relacionada à inviabilidade de continuidade dos empreendimentos dentro dos cronogramas regulatórios. A discussão ocorre em um contexto no qual a expansão da geração renovável enfrenta desafios crescentes de conexão, disponibilidade de rede, custos de implantação e condições de mercado.
O caso também chama atenção para possíveis diferenças regulatórias entre os procedimentos de conexão de cargas e de empreendimentos de geração.
Análise: a revogação não deve ser interpretada apenas como um evento empresarial isolado. Ela ilustra o aumento do risco de execução de projetos que obtêm autorização ou avançam no desenvolvimento sem que estejam suficientemente equacionadas as condições físicas, econômicas e regulatórias para sua implantação.
Em um ambiente de forte expansão da geração solar, a disponibilidade efetiva de conexão e a viabilidade comercial passam a ser tão importantes quanto o potencial energético do empreendimento.

3. ANEEL autoriza conexão de data centers com demanda de até 297 MW em São Paulo
A ANEEL autorizou a conexão à Rede Básica de projetos de data centers da Ascenty localizados em Campinas e Vinhedo, no estado de São Paulo. As cargas previstas poderão alcançar aproximadamente 297 MW até 2029.
As autorizações foram concedidas após a obtenção dos pareceres de acesso do Operador Nacional do Sistema Elétrico — ONS.
A expansão dos data centers acrescenta uma nova camada de complexidade ao planejamento elétrico, pois esses empreendimentos apresentam cargas elevadas, exigências rigorosas de confiabilidade e potencial de crescimento acelerado.
Análise: a conexão de grandes consumidores, especialmente data centers, reforça a necessidade de coordenação entre planejamento da transmissão, expansão da distribuição, disponibilidade de capacidade e requisitos de qualidade e continuidade. Também poderá ampliar a importância de contratos específicos, soluções de armazenamento e mecanismos de gestão da demanda.
A expansão dessas cargas ocorre simultaneamente ao crescimento de projetos renováveis, tornando mais importante a compatibilização temporal e espacial entre geração, consumo e infraestrutura de rede.

4. ONS deverá elaborar plano especial de segurança do sistema para as eleições
O Ministério de Minas e Energia solicitou ao ONS a elaboração de um plano especial para garantir a segurança do Sistema Interligado Nacional durante as Eleições Gerais de 2026.
O planejamento deverá considerar o primeiro turno, previsto para 4 de outubro, e eventual segundo turno, em 25 de outubro. A preocupação envolve a manutenção da segurança operativa e da continuidade do fornecimento em um período de elevada sensibilidade institucional.
Análise: embora a medida tenha caráter circunstancial, ela evidencia a importância crescente do planejamento de contingência em um sistema elétrico mais complexo, com maior participação de fontes variáveis, crescimento de cargas críticas e necessidade de coordenação entre agentes.
A preparação para eventos de grande relevância nacional também reforça o papel do ONS na articulação de medidas preventivas e na gestão de situações operativas excepcionais.

5. EPE avança no planejamento de sistemas de armazenamento hidráulico
Em 15 de setembro, a EPE apresentou, durante seminário promovido pelo GESEL/UFRJ, o plano de trabalho para antecipar etapas do futuro procedimento competitivo de contratação de serviços prestados por sistemas de armazenamento hidráulico, incluindo usinas reversíveis.
A iniciativa está relacionada à Resolução CNPE nº 08/2026 e busca estruturar as bases técnicas e institucionais para uma futura contratação desses serviços.
As usinas reversíveis podem armazenar energia por meio do bombeamento de água para reservatórios superiores e posteriormente gerar eletricidade nos momentos de necessidade.
Análise: a discussão amplia o debate sobre armazenamento para além das baterias eletroquímicas. Sistemas hidráulicos reversíveis podem oferecer armazenamento de maior duração e serviços de flexibilidade, embora dependam de condições geográficas, ambientais, de licenciamento e de infraestrutura.
A diversificação das tecnologias de armazenamento tende a ser importante para atender necessidades distintas do sistema: resposta rápida, deslocamento intradiário de energia e armazenamento de longa duração.

O Mundo
Flexibilidade e armazenamento ganham importância na transição energética
A evolução dos sistemas elétricos em diferentes mercados indica que a expansão de fontes renováveis exige instrumentos complementares de flexibilidade. Entre eles estão baterias, resposta da demanda, redes inteligentes, interligações e novas formas de operação dos consumidores.
No Brasil, o potencial estimado de 8,8 GW para resposta da demanda e os avanços regulatórios relacionados ao armazenamento mostram que o debate já ultrapassa a simples expansão da geração renovável.
A tendência internacional é de maior integração entre consumidores, recursos distribuídos, armazenamento e operadores de rede. Esse movimento aproxima o consumidor do processo operativo e pode alterar a forma de contratação e remuneração dos serviços elétricos.

Indicador da Semana
8,8 GW — potencial técnico estimado pela EPE para a resposta da demanda no Brasil.
O número representa uma referência importante para avaliar quanto da flexibilidade do sistema poderá ser obtido por meio de ajustes no consumo, em vez de depender exclusivamente da expansão da oferta de geração.

Acompanhamento
  • Regulamentação da resposta da demanda e definição dos mecanismos de remuneração.
  • Evolução das discussões sobre armazenamento hidráulico e baterias.
  • Critérios de conexão de grandes cargas, especialmente data centers.
  • Impactos regulatórios e econômicos da restrição de acesso à rede para novos projetos de geração.
  • Preparação operativa do SIN para o período eleitoral.
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Panorama do Mercado de Energia Elétrica — Edição 43 | 14 a 20/09/2026


Sandro Geraldo Bagattoli


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domingo, 13 de setembro de 2026

Panorama do Mercado de Energia Elétrica — Edição 42 | 07 a 13 de setembro

Panorama do Mercado de Energia Elétrica
A rede elétrica entra em uma nova fase: conexão, controle e flexibilidade ganham protagonismo
Edição 42 — 07 a 13 de setembro de 2026

Editorial da Semana
A rede deixa de ser apenas infraestrutura e passa a ser parte do mercado
Durante muito tempo, a expansão do setor elétrico brasileiro foi tratada principalmente como uma questão de geração e transmissão: construir usinas, linhas e subestações para atender ao crescimento da demanda.
Essa lógica está mudando.
Nesta semana, a ANEEL colocou em consulta pública novas regras para conectar e operar geração solar distribuída, baterias, veículos elétricos e cargas controláveis. Pouco depois, abriu consulta para o primeiro leilão de transmissão que poderá contratar uma bateria como ativo da própria rede.
São movimentos diferentes, mas que apontam na mesma direção.
O sistema elétrico começa a incorporar recursos capazes não apenas de produzir ou consumir energia, mas também de modificar seu comportamento em função das condições da rede.
Isso aumenta a importância de conceitos como observabilidade, controlabilidade, flexibilidade e resposta da demanda.
A questão central para os próximos anos não será apenas quanto de energia o Brasil consegue produzir, mas como coordenar milhões de recursos conectados à rede, em diferentes níveis de tensão e com diferentes padrões de consumo e geração.

Mercado em Movimento
1. ANEEL propõe novas regras para conectar solar, baterias, veículos elétricos e cargas flexíveis
A ANEEL abriu a Consulta Pública nº 33/2026 para modernizar o Módulo 3 dos Procedimentos de Distribuição (PRODIST).
A proposta cria uma abordagem integrada para os chamados Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), abrangendo geração solar, sistemas de armazenamento, veículos elétricos e cargas capazes de ajustar seu funcionamento de acordo com as condições da rede.
Um dos pontos mais importantes é a mudança de lógica regulatória: em vez de estabelecer regras exclusivamente pela tecnologia utilizada, a proposta considera como o recurso interage com a rede — se injeta energia, absorve energia ou consegue modificar seu comportamento sob comando.
A ANEEL também propõe requisitos de monitoramento, comunicação e resposta a comandos, além de requisitos de proteção, qualidade da energia e controle da potência injetada.
É uma mudança importante para o futuro da geração distribuída.
Uma residência com geração solar e bateria, por exemplo, poderá deixar de ser vista simplesmente como um consumidor que eventualmente injeta excedentes na rede. Passa a ser um recurso cujo comportamento pode ter relevância para a operação do sistema.
A consulta ficará aberta de 10 de setembro a 9 de novembro.

2. Baterias entram pela primeira vez como ativo da transmissão no Brasil
A ANEEL abriu a Consulta Pública nº 32/2026 para o Leilão de Transmissão nº 01/2027, marcado para 30 de abril de 2027.
O destaque é o Lote 5, que prevê a contratação de um sistema de armazenamento por baterias de 100 MW / 200 MWh, com tecnologia grid-forming, na região de Cruzeiro do Sul, no Acre.
Será a primeira contratação de baterias diretamente no segmento de transmissão do Sistema Interligado Nacional.
O projeto faz parte de um leilão que prevê R$ 12,9 bilhões em investimentos, 3.245 quilômetros de novas linhas e 1.386 MVA de capacidade de transformação.
A utilização da bateria no Acre é particularmente interessante porque mostra que o armazenamento começa a ser tratado não apenas como mecanismo para deslocar energia renovável, mas como uma solução de infraestrutura elétrica, capaz de contribuir para a confiabilidade do atendimento.
O contrato do lote de bateria terá duração de 18 anos, inferior aos 30 anos previstos para os demais lotes, justamente em função da vida útil dos equipamentos.
O movimento merece atenção porque pode estabelecer um precedente para a contratação futura de armazenamento como alternativa ou complemento a obras tradicionais de rede.

3. Curtailment ganha novo capítulo na Justiça
A Justiça Federal negou, em 11 de setembro, pedidos apresentados por associações de empresas eólicas e solares para garantir o ressarcimento integral dos cortes de geração — o chamado curtailment.
A decisão considerou que a ANEEL não extrapolou sua competência ao estabelecer os critérios para compensação dos geradores.
O tema é particularmente relevante porque o curtailment deixou de ser uma questão exclusivamente operacional.
Com o crescimento acelerado das fontes renováveis variáveis, os cortes de geração passaram a envolver risco econômico, contratos, remuneração dos ativos e segurança jurídica dos investimentos.
A decisão judicial não encerra necessariamente a discussão, mas acrescenta um componente importante ao processo de definição de como os riscos associados às restrições operativas serão distribuídos entre geradores, consumidores e demais agentes.
Há aqui uma questão estrutural: quanto maior a expansão de fontes renováveis conectadas ao sistema, maior será a importância de definir previamente quem assume o custo da energia que poderia ser produzida, mas não consegue ser entregue.

Regulação e Tarifas
ANEEL reorganiza sua agenda regulatória diante do aumento das demandas
A ANEEL aprovou nesta semana a primeira revisão da Agenda Regulatória 2026–2027.
A Agência passou de 59 para 54 atividades regulatórias, com cinco novas inclusões, nove atividades transferidas para 2028 e duas excluídas.
A revisão foi motivada, entre outros fatores, pela necessidade de priorização diante da quantidade de demandas e da disponibilidade limitada de recursos humanos.
A nova agenda concentra 25 atividades em Geração & Mercado, 16 em Transmissão & Distribuição, nove em Regulação Tarifária & Financeira e quatro em Eficiência Energética & Consumidor.
O movimento é importante porque revela uma característica pouco percebida do processo regulatório: a transformação tecnológica e institucional do setor está aumentando a quantidade de temas que precisam ser regulamentados simultaneamente.
Armazenamento, recursos distribuídos, abertura de mercado, transmissão, tarifas e novas formas de consumo passaram a disputar espaço dentro da agenda da Agência.

Geração e Expansão
Brasil adiciona quase 2 GW de capacidade em agosto
A expansão da matriz elétrica brasileira atingiu 1.968,37 MW em agosto, segundo a ANEEL.
Foram 20 novas usinas: 15 solares fotovoltaicas, três termelétricas e duas eólicas.
No acumulado de janeiro a agosto, a expansão chegou a 4.852,78 MW, com 91 novas usinas em operação.
As fontes solares responderam por 3.520,93 MW da expansão acumulada no ano.
Em 8 de setembro, a potência fiscalizada das usinas centralizadas chegou a 220.662,7 MW, dos quais 84,67% correspondem a fontes renováveis.
O dado reforça uma característica já bastante conhecida do sistema brasileiro, mas que ganha nova importância diante das notícias desta semana: a oferta de geração continua crescendo rapidamente enquanto a rede precisa evoluir para integrar e administrar essa nova capacidade.
O desafio passa, portanto, da simples expansão da oferta para a coordenação entre geração, transmissão, distribuição, armazenamento e consumo.

O Mundo
Sudeste Asiático se torna novo grande mercado para tecnologias chinesas de energia limpa
O Sudeste Asiático está se consolidando como um dos principais destinos das exportações chinesas de tecnologias de energia limpa.
Segundo análise da Reuters, os países da ASEAN gastaram mais de US$ 20 bilhões em produtos chineses de energia limpa em 2026, incluindo baterias, componentes de rede, veículos elétricos e equipamentos solares.
As importações de baterias para armazenamento chegaram a quase US$ 7 bilhões, enquanto as compras de painéis solares cresceram 90% em relação ao ano anterior.
O movimento chama atenção porque combina duas transformações: a rápida expansão da demanda elétrica em economias que ainda dependem fortemente do carvão e a crescente utilização de tecnologias chinesas para construir sistemas baseados em solar, armazenamento e eletrificação.
Para o mercado brasileiro, o fenômeno merece acompanhamento.
A indústria chinesa não está apenas exportando módulos fotovoltaicos. Está avançando simultaneamente em baterias, eletrônica de potência, veículos elétricos e equipamentos de rede — justamente os componentes que começam a ganhar importância também na transformação do sistema elétrico brasileiro.

Indicador da Semana
4.852,78 MW
Foi a expansão da capacidade instalada de geração elétrica brasileira entre janeiro e agosto de 2026.
Desse total:
O dado é importante não apenas pelo volume, mas pela composição: a expansão continua fortemente concentrada na fonte solar.

Acompanhamento
🔹 Recursos Energéticos Distribuídos
A Consulta Pública nº 33/2026 pode ser uma das discussões regulatórias mais importantes para a evolução da geração distribuída, armazenamento e mobilidade elétrica.
🔹 Armazenamento
Além dos leilões de reserva de capacidade já em discussão, agora surge uma segunda possibilidade: baterias contratadas como infraestrutura de transmissão.
🔹 Curtailment
A decisão judicial desta semana acrescenta uma nova dimensão jurídica ao debate sobre compensação dos cortes de geração renovável.
🔹 Mercado livre
As discussões sobre as Regras de Comercialização 2027 continuam em andamento e devem ser acompanhadas em paralelo à evolução da abertura do mercado.
🔹 Transmissão
O próximo leilão deverá ser observado não apenas pelos quilômetros de linhas contratados, mas pela introdução de armazenamento como parte da própria solução de transmissão.

Radar do Setor
ANEEL: consultas públicas avançam simultaneamente sobre recursos distribuídos, armazenamento e transmissão.
ONS: acompanhamento das condições de operação, carga, reservatórios e integração da nova geração.
CCEE: atenção à evolução do PLD e das discussões sobre as Regras de Comercialização 2027.
Geração: expansão permanece fortemente concentrada em solar fotovoltaica.
Armazenamento: baterias começam a ocupar três espaços distintos na discussão brasileira — reserva de capacidade, consumidor/recurso distribuído e transmissão.
Curtailment: o tema passa a combinar operação, regulação, economia dos contratos e judicialização.

💬 Participe
O setor elétrico está entrando em uma fase em que geração, rede, armazenamento e consumo passam a funcionar de maneira cada vez mais integrada.
Na sua avaliação, qual será o principal desafio para o mercado de energia elétrica nos próximos anos?
Participe com ideias e sugestões de temas.

Panorama do Mercado de Energia Elétrica
Edição 42 — 07 a 13 de setembro de 2026


Sandro Geraldo Bagattoli


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