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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

ENC: Abertura do mercado livre | Debate sobre rateio de custos do LRCAP | Repasse a distribuidoras | Crescimento do biometano | Projetos de iluminação

 

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domingo, 16 de agosto de 2026

⚡ Panorama do Mercado de Energia Elétrica - Edição nº 38 - Semana de 10/08/2026 a 16/08/2026


Os principais movimentos que ajudam a entender o mercado de energia elétrica.

✍️ Editorial da Semana
O mercado elétrico entra em uma fase de maior flexibilidade
A semana trouxe sinais de uma transformação que vai além de uma decisão regulatória específica. O mercado elétrico brasileiro começa a combinar ampliação da concorrência, maior exposição a riscos climáticos e necessidade crescente de flexibilidade.
A regulamentação da abertura gradual do mercado de baixa tensão é um dos movimentos dessa transformação. Paralelamente, a volatilidade dos preços, o avanço do armazenamento e a entrada de novos participantes na comercialização mostram que a gestão de risco e a capacidade de adaptação serão cada vez mais importantes.
O setor começa, portanto, a deixar para trás um modelo baseado predominantemente em contratos de fornecimento e avançar para um ambiente em que energia, flexibilidade e gestão de riscos passam a ter valor econômico próprio.

🇧🇷 O Movimento da Semana
Governo regulamenta abertura gradual do mercado livre para consumidores de baixa tensão
O governo federal regulamentou nesta semana a abertura gradual do mercado livre para consumidores atendidos em baixa tensão.
O cronograma estabelece que consumidores comerciais e industriais poderão escolher seu fornecedor de energia a partir de novembro de 2027. Para consumidores residenciais e os demais consumidores de baixa tensão, a abertura ocorrerá a partir de novembro de 2028.
A regulamentação também estabelece mecanismos para garantir a continuidade do fornecimento, incluindo o Supridor de Última Instância (SUI), e prevê a participação dos comercializadores varejistas na representação dos consumidores perante a CCEE.
Impacto para o mercado
A medida amplia significativamente o universo potencial do mercado livre e cria um novo mercado de varejo de energia.
Para comercializadores, surge a necessidade de desenvolver produtos simplificados e economicamente competitivos para consumidores menores. Para distribuidoras, a mudança representa uma transição gradual do modelo tradicional de fornecimento de energia para uma atuação cada vez mais concentrada na infraestrutura de distribuição.
A regulamentação também inicia uma agenda importante de detalhamento pela ANEEL, CCEE e demais agentes.
Fonte: Folha de S.Paulo
Leia a notícia completa

⚡ Mercado e Comercialização
Grandes grupos financeiros ampliam participação no mercado brasileiro
O mercado brasileiro de comercialização de energia continua atraindo grandes grupos internacionais de commodities e instituições financeiras.
Empresas como Trafigura, StoneX, Macquarie e Danske Commodities ampliam suas operações no país, enquanto algumas comercializadoras menores enfrentam dificuldades financeiras.
Impacto para o mercado
A movimentação mostra que a comercialização de energia está se tornando uma atividade cada vez mais sofisticada financeiramente.
A capacidade de administrar crédito, exposição a preços, riscos hidrológicos e diferentes horizontes de contratação passa a ser um fator determinante para a competitividade das empresas.
O movimento também pode favorecer uma maior concentração do mercado, especialmente à medida que a comercialização varejista ganhar importância.
Fonte: Reuters
Leia a análise

📈 Mercado em Movimento
El Niño começa a influenciar expectativas de preços
As expectativas relacionadas ao fenômeno El Niño começaram a aparecer com maior intensidade nas negociações do mercado livre.
Enquanto os preços de curto prazo apresentaram queda significativa nos últimos meses, contratos com entrega futura passaram a incorporar maior preocupação com possíveis alterações das condições hidrológicas e da geração renovável.
Impacto para o mercado
O movimento reforça uma característica fundamental do mercado brasileiro: o preço da energia é também um preço de expectativa.
Para consumidores livres e comercializadores, isso torna cada vez mais importante combinar contratos de diferentes prazos e acompanhar indicadores climáticos e hidrológicos.

🔋 Tecnologia e Inovação
Baterias avançam como recurso de flexibilidade do sistema
O armazenamento continua ganhando espaço na agenda energética brasileira, especialmente após as diretrizes estabelecidas pelo MME para os futuros leilões de reserva de capacidade.
Os requisitos técnicos definidos para os sistemas mostram que o objetivo não é simplesmente instalar baterias, mas contratar potência capaz de responder rapidamente às necessidades do sistema elétrico.
Ao mesmo tempo, permanece em desenvolvimento uma segunda possibilidade: a utilização de baterias junto a consumidores com geração própria.
Impacto para o mercado
O armazenamento começa a assumir duas funções distintas:
No sistema: fornecer potência e flexibilidade.
No consumidor: aumentar o valor econômico da geração própria e permitir maior controle do consumo.
Essa diferenciação será importante para definir os modelos de negócio que poderão surgir no mercado brasileiro.
Fonte: Ministério de Minas e Energia
Portaria Normativa MME nº 136/2026

🌎 O Mundo
Onda de calor eleva preços da eletricidade na Europa
A onda de calor que atingiu a Europa provocou forte elevação dos preços de eletricidade em diversos mercados.
Na França, os preços day-ahead avançaram mais de 20%, pressionados pela redução da disponibilidade da geração nuclear em razão das altas temperaturas dos rios. Na Alemanha, a menor produção eólica combinada ao aumento da demanda por refrigeração também pressionou os preços.
O que isso ensina ao Brasil
O episódio demonstra que a transição energética aumenta a importância da flexibilidade do sistema.
Eventos climáticos extremos podem produzir simultaneamente maior demanda e menor disponibilidade de determinadas fontes de geração.
Armazenamento, resposta da demanda, geração flexível e mercados de capacidade tornam-se, nesse contexto, instrumentos econômicos de segurança.

📊 Indicador da Semana
+20%
Foi aproximadamente a alta registrada nos preços day-ahead de eletricidade em alguns mercados europeus durante a onda de calor desta semana.
O indicador mostra como eventos climáticos podem produzir movimentos rápidos nos preços quando coincidem aumento da demanda e restrições na oferta.

📌 Acompanhamento
Abertura do mercado de baixa tensão
A regulamentação desta semana inicia uma nova etapa do processo de abertura do mercado.
Agora, o principal ponto a acompanhar deixa de ser o anúncio da abertura e passa a ser como a regulamentação será operacionalizada.
Entre os próximos passos estão as regras de comercialização varejista, medição, migração, retorno ao mercado regulado e funcionamento do Supridor de Última Instância.

👀 Radar do Setor
  • Mercado de baixa tensão: próximos atos regulatórios necessários à implementação da abertura.
  • Comercialização: crescimento da participação de grandes grupos financeiros e internacionais.
  • Preços: efeitos das condições climáticas sobre as expectativas de PLD e contratos futuros.
  • Armazenamento: evolução do LRCAP e dos modelos econômicos para baterias.
  • Flexibilidade: novas discussões sobre capacidade, armazenamento e resposta da demanda.

💬 Participe
O Panorama do Mercado de Energia Elétrica é construído para profissionais que acompanham a evolução do setor.
👉 Participe com ideias e sugestões de temas que gostaria de ver analisados nas próximas edições.

Panorama do Mercado de Energia Elétrica
Edição nº 38Informação, contexto e análise para quem acompanha a transformação do setor elétrico brasileiro.


Sandro Geraldo Bagattoli


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sábado, 15 de agosto de 2026

Ampliação do mercado livre

domingo, 9 de agosto de 2026

⚡ Panorama do Mercado de Energia Elétrica - Edição nº 37 - Semana de 03/08/2026 a 09/08/2026


✍️ Editorial da Semana
A discussão sobre o custo da energia ganhou uma nova dimensão nesta semana.
O debate deixou de estar concentrado apenas no preço da geração e passou a envolver a estrutura completa da conta de luz: investimentos em redes, encargos, subsídios, perdas e tributação.
Ao mesmo tempo, a ANEEL apresentou uma dimensão importante do desafio futuro: as distribuidoras projetam quase R$ 258 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030. Ou seja, o setor precisa simultaneamente modernizar sua infraestrutura e encontrar uma forma economicamente sustentável de financiar essa expansão.
O ponto central passa a ser: como transformar investimentos necessários em uma tarifa competitiva para consumidores e empresas?

🇧🇷 O Movimento da Semana
Distribuidoras projetam R$ 258 bilhões em investimentos até 2030
A ANEEL disponibilizou o Plano de Desenvolvimento da Distribuição (PDD) 2026, consolidando informações sobre os investimentos realizados pelas distribuidoras em 2025 e o planejamento para o período de 2026 a 2030.
As empresas informaram investimentos de aproximadamente R$ 40,94 bilhões em 2025 e projetam R$ 257,93 bilhões nos próximos cinco anos, destinados à expansão, melhoria e renovação das redes de distribuição.
Impacto para o mercado
O número mostra a dimensão da transformação que ocorrerá na infraestrutura de distribuição.
A expansão da geração distribuída, a eletrificação do consumo, a instalação de carregadores de veículos elétricos, o crescimento de cargas industriais e a futura utilização de baterias exigirão redes mais robustas e inteligentes.
O desafio regulatório será garantir que esses investimentos sejam realizados de forma eficiente, evitando que a modernização da rede se transforme simplesmente em aumento de custos tarifários.
Fonte: ANEEL – Plano de Desenvolvimento da Distribuição 2026
Acesse a ANEEL

⚖️ Regulação e Tarifas
Estudo coloca o custo da eletricidade brasileira no centro do debate sobre competitividade
Um estudo divulgado nesta semana pelo Centro de Liderança Pública (CLP) reacendeu a discussão sobre o elevado custo da eletricidade para o consumidor brasileiro.
Segundo o levantamento, quando considerado o poder de compra, a tarifa residencial brasileira supera a de 77 países. O estudo estima ainda que uma combinação de redução de subsídios, combate às perdas, revisão de encargos e redução da carga tributária poderia reduzir significativamente o custo final da energia.
A análise aponta que apenas 30,4% da conta corresponderiam ao custo efetivo da geração, enquanto encargos, tributos e custos de rede representam parcela majoritária da fatura.
O estudo também coloca em discussão uma mudança estrutural: retirar determinados subsídios da tarifa e transferi-los para o Orçamento Geral da União, tornando mais explícito o custo das políticas públicas.
Impacto para o mercado
O estudo é particularmente relevante para o mercado livre porque coloca em evidência uma questão que vai além da migração de consumidores para o ACL: a competitividade da energia brasileira depende também de quanto da conta final não está relacionado diretamente à energia consumida.
O debate sobre subsídios e encargos deverá ganhar ainda mais importância com a expansão do mercado livre e a reforma tributária.
Fonte: Centro de Liderança Pública / análise repercutida pelo Estadão
Estudo sobre competitividade e custo da energia elétrica

⚡ Mercado e Formação de Preços
Consulta sobre os modelos de formação do PLD chega ao fim
Terminou em 7 de agosto o prazo para contribuições à Consulta Externa nº 003/2026 do Comitê Técnico PMO/PLD, coordenado por CCEE e ONS.
A consulta buscou receber sugestões de agentes e instituições sobre temas prioritários para a evolução dos modelos computacionais utilizados no planejamento da operação, na operação do sistema e na formação de preços.
Impacto para o mercado
Este é um movimento importante porque a qualidade dos modelos utilizados pelo setor influencia diretamente a previsibilidade do PLD e, consequentemente, a gestão de risco dos agentes do mercado livre.
A questão deixou de ser apenas "qual será o PLD?" e passa a incluir outra pergunta:
"Quais modelos e premissas estarão por trás do preço que o mercado utilizará para tomar suas decisões?"
As contribuições recebidas serão analisadas pelo Comitê e utilizadas na construção da agenda de trabalho do próximo ciclo.

🔋 Tecnologia e Inovação
Armazenamento: o próximo passo é chegar ao consumidor com geração própria
O armazenamento continua avançando na agenda regulatória brasileira, mas nesta semana o ponto mais interessante está menos em uma nova regra e mais na mudança de escala que começa a se desenhar.
O Ministério de Minas e Energia já estabeleceu diretrizes para produtos específicos de potência de armazenamento nos futuros leilões, enquanto documentos de planejamento reconhecem as baterias como uma tecnologia que pode ser instalada inclusive no interior das instalações dos consumidores.
Isso abre uma perspectiva importante para empresas que possuem geração fotovoltaica própria.
Do gerador ao consumidor-gerador
A bateria poderá permitir que o consumidor:
  • armazene excedentes da geração solar;
  • aumente o autoconsumo;
  • reduza a necessidade de compra de energia em determinados horários;
  • administre melhor sua demanda;
  • aumente a segurança contra interrupções;
  • e, futuramente, participe de mecanismos de prestação de serviços ao sistema.
A grande questão ainda não está totalmente respondida: qual será o modelo econômico que tornará a bateria atraente para o consumidor atrás do medidor?
Esse é um tema que merece acompanhamento específico no Panorama.
Impacto para o mercado
A combinação de geração própria, baterias, gestão inteligente da carga e tarifas mais sofisticadas pode transformar o consumidor de energia em um agente muito mais ativo do sistema elétrico.
Por isso, o armazenamento continuará sendo acompanhado pelo Panorama, mas agora sob uma perspectiva diferente: não apenas como recurso de segurança do SIN, mas como ativo energético do próprio consumidor.
Fonte: Ministério de Minas e Energia – diretrizes para armazenamento
Portaria Normativa MME nº 136/2026

🌎 O Mundo
Calor extremo leva EUA a recorrer novamente a medidas emergenciais para preservar a confiabilidade da rede
Nos Estados Unidos, o Departamento de Energia determinou medidas emergenciais para preservar a confiabilidade do sistema elétrico diante de condições de elevada demanda associadas ao calor de verão.
A ordem autorizou o Southwest Power Pool (SPP) a determinar o despacho de determinadas unidades de geração e recorrer a recursos de geração de reserva para evitar uma emergência de maior gravidade.
O que isso ensina ao Brasil
O episódio mostra que mesmo sistemas elétricos altamente desenvolvidos enfrentam o mesmo dilema que começa a ganhar importância no Brasil: como garantir potência e flexibilidade em momentos críticos sem manter permanentemente uma estrutura de geração cara e pouco utilizada.
É justamente nesse espaço que entram armazenamento, resposta da demanda, geração flexível e mercados de capacidade.
Fonte: U.S. Department of Energy
Emergency Power Orders – Department of Energy

📌 Acompanhamento
Armazenamento de energia
O tema continua avançando e passa a ter duas frentes distintas:
Sistema elétrico: contratação de potência e serviços de flexibilidade.
Consumidor: utilização de baterias atrás do medidor para aumentar o valor econômico da geração própria.
O segundo mercado ainda está em estágio inicial no Brasil e merece acompanhamento especial nas próximas edições.

📊 Indicador da Semana
R$ 257,93 bilhões
É o volume de investimentos projetados pelas distribuidoras para o período de 2026 a 2030, segundo o PDD 2026 da ANEEL.
O número ajuda a dimensionar o tamanho do investimento necessário para modernizar a infraestrutura que sustentará a próxima fase do setor elétrico brasileiro.

👀 Radar do Setor
  • Distribuição: acompanhar a execução dos investimentos previstos no PDD 2026.
  • PLD: acompanhar a análise das contribuições recebidas na Consulta Externa do CT PMO/PLD.
  • Tarifas: acompanhar o debate sobre subsídios, encargos e tributação.
  • Armazenamento: acompanhar a evolução das regras e, principalmente, a criação de modelos econômicos para baterias atrás do medidor.
  • Mercado Livre: observar como a modernização dos modelos de formação de preços poderá afetar a gestão de risco dos agentes.

💬 Participe
O Panorama do Mercado de Energia Elétrica é construído para profissionais que acompanham a evolução do setor.
👉 Participe com ideias e sugestões de temas que gostaria de ver analisados nas próximas edições.

Panorama do Mercado de Energia Elétrica
Edição nº 37Informação, contexto e análise para quem acompanha a transformação do setor elétrico brasileiro.


Sandro Geraldo Bagattoli


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