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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Brasil: ânimo de 2008 e cenário de 2009

A continuidade da reanimação da economia brasileira, nos primeiros nove meses de 2008, e a recuperação dos principais indicadores sociais podem explicar a avaliação positiva e a popularidade recordes, do governo e do presidente Lula, respectivamente, conforme pesquisas do Instituto Sensus, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT/Sensus), e da Confederação Nacional de Indústria (CNI)/IBOPE. Tais resultados são recordes registrados pela pesquisa, iniciada há dez anos.

Mas, a consolidação dessa etapa expansiva dependeria dos humores dos mercados externo e interno. No âmbito internacional, o ajuste depressivo da bolha de commodities (produtos básicos e intermediários) e a elevação do custo do crédito vem afetando negativamente o comportamento dos fatores de empuxe da economia brasileira, ao diminuir a rentabilidade das exportações e dificultar a renovação e/ou encarecer o acesso às linhas de financiamento dos investimentos produtivos.

Entretanto, é crucial considerar que o Brasil ainda vem tirando proveito da solidez dos fundamentos econômicos. Isso pode ser comprovado pela decisão do banco de investimentos Morgan Stanley em elevar a participação das ações de empresas do País, como a Vale e a Petrobrás, em sua carteira para os emergentes. Aliás, o Brasil já figurava na sugestão overweight (OW) da agência, o que significa superior à média de mercado, ao lado da Rússia, Taiwan, Polônia e Israel.

Inquestionavelmente, o País contabilizou ganhos expressivos desde o ciclone econômico de 2002, acoplado ao suposto risco Lula. Foram eles a redução da inflação e dos juros pela metade (apesar do repique do 1º semestre de 2008), do risco-país em 90,0% e da dependência comercial das nações industrializadas, a duplicação do patamar de crescimento, a zeragem da dívida pública interna dolarizada e a quintuplicação das reservas internacionais, que, ressalte-se, correspondem a 1/3 do movimento de capitais de curto prazo.

Também expressiva foi a busca de frentes direcionadas à ampliação qualitativa e quantitativa da matriz energética, com o aumento da produção interna de petróleo e o avanço de fontes renováveis, e a diversificação dos destinos das vendas externas. Presentemente, entre os mercados absorvedores das exportações brasileiras figuram Europa (25,0%), América Latina (20,0%), Estados Unidos (15,0%) e Ásia (15,0%).

Segundo apurações da Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), o Brasil teria atraído US$ 34,6 bilhões em investimentos diretos estrangeiros em 2007, figurando no 14º posto no ranking mundial, e em 4º lugar entre os emergentes, atrás da China, Hong Kong e Rússia.
Gilmar Mendes Lourenço é Economista, Coordenador do Curso de Ciências Econômicas e Editor da Revista Vitrine da Conjuntura da FAE Business School. Ele escreve às Quartas-Feiras neste espaço.



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