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domingo, 1 de março de 2009

Presidente da Copel discute a questão energética do País

O setor elétrico brasileiro está com o futuro incerto. Com um potencial hidrelétrico ainda imenso, o País sofre para introduzir fontes de energia alternativa, enquanto fica cada vez mais dependente das poluentes usinas térmicas. O presidente da Copel, Rubens Ghilardi, conversou com O Estado a respeito dessa e de outras questões. Ele elege os ambientalistas como os principais culpados pela estagnação na construção das usinas hidráulicas, e fala, ainda, sobre o preço para o consumidor ­ que deve subir em 2009.

O Estado: Como está o panorama atual da energia elétrica, tanto no Brasil como no Paraná?

Rubens Ghilardi: A Copel foi criada para o desenvolvimento do próprio estado. Na época da criação, o Brasil, como um todo, tinha poucas fontes de energia. Foi quando criaram as empresas estatais - Cemig, Copel, Celesc, entre outras -, e o Paraná e Minas se destacaram por construir usinas na época. Os maiores produtores estaduais eram Copel e Cemig, que praticamente absorveram toda a necessidade dos estados.

O princípio do nosso modelo de setor elétrico era estatal. Naquela época, o setor era totalmente privado e estrangeiro, e não tinha investimento em geração. O País tava estagnado. Com a criação das estatais houve um investimento brutal do governo - todo esse parque gerador que está no País hoje é graças às estatais, que construíram o que está aí. A Copel e a Cemig foram as pioneiras nessa área de geração: 80% era na mão das federais, aí tinha a Copel com 6% a 7% e a Cemig com um pouquinho mais.

OE: Qual é, hoje, a principal preocupação do setor elétrico?

RG: A preocupação geral é a dificuldade de conseguir licença ambiental para a energia [hidráulica], que é altamente barata, não poluente, renovável. É difícil de entender porquê não se preocupam com energia térmica. Não se vê ambientalista falando mal de usina a carvão, a gás. Mas de hidrelétrica, sim. Eu gostaria que os ambientalistas analisassem um pouco mais para onde estão levando o País, em termos de meio ambiente, de custo.

É uma mensagem que todo o setor elétrico tem que dar ao pessoal do meio ambiente, que é pensar um pouco mais na sustentabilidade. Os filhos deles vão viver aqui e respirar esse ar que está aí. Com as usinas térmicas, não sei se vai ser esse mesmo ar. O ambientalista tem que se preocupar com isso também.

OE: Os ambientalistas têm todo esse poder, ou o problema maior está na burocracia?

RG: Têm sim. Porque eles levam isso para o Judiciário, e com as informações que chegam ao Judiciário, cria um problema. O ambientalista cria um motivo para o juiz ter preocupação - o que eu acho lógico, pois ele também tem que se preocupar com o meio ambiente. Isso acaba criando uma dificuldade maior para o País, que começa a gerar compra de usina térmica. O setor elétrico trabalha com 10 anos na frente. Hoje o nosso plano decinal está sub judice, porque está totalmente calcado em usina térmica. Os ambientalistas tinham que estar ajudando o setor elétrico a ver se esse plano é bom para o País, ou não.

OE: O preço da energia elétrica está praticamente congelado nos últimos anos, no Paraná. Como isso tem impactado nos cofres da Copel?

RG: Na realidade a energia no Brasil subiu muito. Antes de 1996, a energia elétrica no Brasil era das mais baratas do mundo. Hoje é a terceira mais cara. Principalmente pela privatização, que teve que remunerar um patrimônio que já estava amortizado. A energia passou a ser uma commodity, negociada no mercado de spot. Quer dizer, acabou valorizando, uma coisa que não deveria ter esse impacto para o consumidor. A Copel, com toda essa dificuldade, continuou mantendo uma tarifa baixa.

Em 2003, nós teríamos um reajuste de 25%, mas passamos o ano sem reajustar, fazendo os reajustes parceladamente. Conseguimos mais adimplência, pois quem pagasse em dia não tinha o reajuste, e quem não pagasse tinha. O nosso consumidor passou a ser adimplente, a pagar em dia, e fomos os únicos a reduzir o custo. Hoje, a Copel é a empresa que tem a energia mais barata do Brasil, e com resultados positivos. Quem está satisfeito conosco é o acionista e o consumidor.

http://www.parana-online.com.br/editoria/economia/news/357554/

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