Que tal analisarmos o recente programa do governo federal de diminuir impostos sobre eletrodomésticos. De forma inteligente, ele estimulou a industrialização e o comércio de produtos com certificado de eficiência energética. Mas e o que fazer com a geladeira, o fogão ou a lavadora velhos? Pense rápido: como fazer um descarte ambientalmente correto? Quanto aos resíduos industriais, estamos apenas iniciando um tratamento adequado em aterros industriais. São necessárias políticas, programas e projetos que permitam o seu reprocessamento ou reciclagem, para que deixem de ser resíduos e passem a ser insumos em processos produtivos. Essa questão deve ser equacionada com a Política A indústria catarinense expõem, a seguir, algumas ideias e propostas para ajudar a próxima administração estadual a formatar programas voltados ao desenvolvimento dentro dos princípios da sustentabilidade. Ou seja, conciliando o crescimento econômico com o uso racional dos recursos naturais, a promoção da qualidade de vida e a redução das diferenças sociais.
Para alguns, isso é utopia, mas nós entendemos que esse equilíbrio é possível por meio dos Objetivos do Milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). São objetivos simples, mas tão importantes quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E um aspecto importante: possuem metas e indicadores para avaliar o sucesso de sua aplicação. São eles: (1) erradicar a extrema pobreza e a fome, (2) atingir o ensino básico universal, (3) promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres, (4) reduzir a mortalidade infantil, (5) melhorar a saúde materna, (6) combater o HIV/ Aids, a malária e outras doenças, (7) garantir a sustentabilidade ambiental e (8) estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Esses objetivos envolvem todas as áreas do desenvolvimento. Que tal iniciarmos a implementação de programas e projetos para atingir esses objetivos? Com apoio de entidades não governamentais, a próxima administração estadual poderia capitanear esse processo. E isso passaria por dar maior visibilidade aos Objetivos do Milênio, quase desconhecidos da maioria dos catarinenses.
Como essa meta, está esquecida também a Agenda 21, que é o plano de ação das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável no Século 21, aprovado na conferência do Rio de Janeiro de 1992. É um apelo às autoridades de cada país para que desenvolvam um processo consultivo e consensual com as suas populações, sob a forma de uma versão local da agenda para as suas comunidades – a Agenda 21 Local. Nós já a temos. Mas como está sua implementação? Ela nos dá as diretrizes, ações, metas para caminhar na direção do desenvolvimento sustentável.
Da Agenda 21, o que sabemos? Todos conhecem a sua máxima, “pensar global, agir local”. No entanto, precisamos ir mais longe. Ter consciência dos problemas e das tendências globais não deve inibir a ação em nível local. Deve, sim, ser um estímulo à atuação das autoridades e outros agentes locais que, estando mais próximos das populações, podem motivar a alteração do conceito de desenvolvimento, dos objetivos de ordenamento do território e gestão urbana, dos comportamentos dos agentes econômicos e dos estilos de vida individuais
Dentro dessa variável, temos que discutir e participar das soluções para os problemas quanto à quantidade e qualidade das águas. Devemos pensar em garantir água para abastecer uma população de cerca de 7 milhões de habitantes nos próximos 10 anos. Olhando num raio de 10 quilômetros, todos nós identificamos um rio ou um manancial que abastece nossos lares. Infelizmente, nosso nível de saneamento ainda é muito baixo ou quase inexistente. Temos alguns exemplos, como o Rio do Peixe, no oeste de SC que no final da década de 1980 teve boas iniciativas no controle da poluição, com participação de todos os atores envolvidos, buscando a despoluição. Bons resultados foram obtidos na época, mas houve problemas na continuidade das iniciativas. Saneamento não é só esgoto sanitário ou fornecimento de água potável, mas também solução para os resíduos sólidos urbanos e industriais.
Se ficamos tristes com nossas estatísticas relativas ao saneamento, podemos ficar alegres com o tratamento dos resíduos sólidos urbanos, pois somos referência no Brasil quanto à disposição final. Podemos melhorar, trabalhando para minimizar a geração de resíduos e ampliar a reciclagem. Temos que ir além do trabalho dos catadores, que é quase escravo. Além de buscar uma solução para a situação deles, devemos ampliar a utilização de processos industriais que permitam ao máximo o reuso dos resíduos.
Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada recentemente. Assim, deixaremos de gerar problemas para as próximas gerações, maximizando o uso dos recursos naturais.
Também precisamos estar atentos às mudanças climáticas. Santa Catarina está em uma região suscetível a eventos de diversas naturezas, que podem se agravar com as mudanças climáticas que estão ocorrendo em decorrência da ação do homem. Alguns países desenvolvidos já possuem políticas e programas de adaptações para os próximos 20, 30 anos. O grande consenso na Conferência do Clima de Copenhague foi que a elevação da temperatura do planeta não deverá ser superior a 2°C. Assim, além das ações para a mitigação, temos que trabalhar para viabilizar projetos para adaptações na agricultura e, principalmente, em relação aos eventos de seca no Oeste, enchentes no litoral e com vistas aos impactos das mudanças climáticas nas cidades localizadas na costa, como a Capital ou Joinville, que estão no nível do mar.
A indústria tem papel fundamental na participação do desenvolvimento do Estado, com base na sustentabilidade, por meio da reavaliação de seus processos, buscando maximizar o uso dos recursos naturais e da energia, reduzindo a geração de resíduos, promovendo a reciclagem dos que forem gerados, capacitando e valorizando seus funcionários e sendo parte da comunidade onde está inserida. Ser ético na indústria é utilizar da melhor forma possível os recursos naturais, e valorizando e respeitando as pessoas (colaboradores e comunidade). Essas reflexões podem ser um pontapé inicial para a discussão de políticas e programas na área socioambiental para os próximos anos em Santa Catarina.
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3005677.xml&template=3898.dwt&edition=15297§ion=1323
Para alguns, isso é utopia, mas nós entendemos que esse equilíbrio é possível por meio dos Objetivos do Milênio, estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). São objetivos simples, mas tão importantes quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos. E um aspecto importante: possuem metas e indicadores para avaliar o sucesso de sua aplicação. São eles: (1) erradicar a extrema pobreza e a fome, (2) atingir o ensino básico universal, (3) promover a igualdade de gênero e a autonomia das mulheres, (4) reduzir a mortalidade infantil, (5) melhorar a saúde materna, (6) combater o HIV/ Aids, a malária e outras doenças, (7) garantir a sustentabilidade ambiental e (8) estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento. Esses objetivos envolvem todas as áreas do desenvolvimento. Que tal iniciarmos a implementação de programas e projetos para atingir esses objetivos? Com apoio de entidades não governamentais, a próxima administração estadual poderia capitanear esse processo. E isso passaria por dar maior visibilidade aos Objetivos do Milênio, quase desconhecidos da maioria dos catarinenses.
Como essa meta, está esquecida também a Agenda 21, que é o plano de ação das Nações Unidas para o desenvolvimento sustentável no Século 21, aprovado na conferência do Rio de Janeiro de 1992. É um apelo às autoridades de cada país para que desenvolvam um processo consultivo e consensual com as suas populações, sob a forma de uma versão local da agenda para as suas comunidades – a Agenda 21 Local. Nós já a temos. Mas como está sua implementação? Ela nos dá as diretrizes, ações, metas para caminhar na direção do desenvolvimento sustentável.
Da Agenda 21, o que sabemos? Todos conhecem a sua máxima, “pensar global, agir local”. No entanto, precisamos ir mais longe. Ter consciência dos problemas e das tendências globais não deve inibir a ação em nível local. Deve, sim, ser um estímulo à atuação das autoridades e outros agentes locais que, estando mais próximos das populações, podem motivar a alteração do conceito de desenvolvimento, dos objetivos de ordenamento do território e gestão urbana, dos comportamentos dos agentes econômicos e dos estilos de vida individuais
Dentro dessa variável, temos que discutir e participar das soluções para os problemas quanto à quantidade e qualidade das águas. Devemos pensar em garantir água para abastecer uma população de cerca de 7 milhões de habitantes nos próximos 10 anos. Olhando num raio de 10 quilômetros, todos nós identificamos um rio ou um manancial que abastece nossos lares. Infelizmente, nosso nível de saneamento ainda é muito baixo ou quase inexistente. Temos alguns exemplos, como o Rio do Peixe, no oeste de SC que no final da década de 1980 teve boas iniciativas no controle da poluição, com participação de todos os atores envolvidos, buscando a despoluição. Bons resultados foram obtidos na época, mas houve problemas na continuidade das iniciativas. Saneamento não é só esgoto sanitário ou fornecimento de água potável, mas também solução para os resíduos sólidos urbanos e industriais.
Se ficamos tristes com nossas estatísticas relativas ao saneamento, podemos ficar alegres com o tratamento dos resíduos sólidos urbanos, pois somos referência no Brasil quanto à disposição final. Podemos melhorar, trabalhando para minimizar a geração de resíduos e ampliar a reciclagem. Temos que ir além do trabalho dos catadores, que é quase escravo. Além de buscar uma solução para a situação deles, devemos ampliar a utilização de processos industriais que permitam ao máximo o reuso dos resíduos.
Nacional de Resíduos Sólidos, sancionada recentemente. Assim, deixaremos de gerar problemas para as próximas gerações, maximizando o uso dos recursos naturais.
Também precisamos estar atentos às mudanças climáticas. Santa Catarina está em uma região suscetível a eventos de diversas naturezas, que podem se agravar com as mudanças climáticas que estão ocorrendo em decorrência da ação do homem. Alguns países desenvolvidos já possuem políticas e programas de adaptações para os próximos 20, 30 anos. O grande consenso na Conferência do Clima de Copenhague foi que a elevação da temperatura do planeta não deverá ser superior a 2°C. Assim, além das ações para a mitigação, temos que trabalhar para viabilizar projetos para adaptações na agricultura e, principalmente, em relação aos eventos de seca no Oeste, enchentes no litoral e com vistas aos impactos das mudanças climáticas nas cidades localizadas na costa, como a Capital ou Joinville, que estão no nível do mar.
A indústria tem papel fundamental na participação do desenvolvimento do Estado, com base na sustentabilidade, por meio da reavaliação de seus processos, buscando maximizar o uso dos recursos naturais e da energia, reduzindo a geração de resíduos, promovendo a reciclagem dos que forem gerados, capacitando e valorizando seus funcionários e sendo parte da comunidade onde está inserida. Ser ético na indústria é utilizar da melhor forma possível os recursos naturais, e valorizando e respeitando as pessoas (colaboradores e comunidade). Essas reflexões podem ser um pontapé inicial para a discussão de políticas e programas na área socioambiental para os próximos anos em Santa Catarina.
http://www.clicrbs.com.br/diariocatarinense/jsp/default2.jsp?uf=2&local=18&source=a3005677.xml&template=3898.dwt&edition=15297§ion=1323

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