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sábado, 14 de agosto de 2010

Planejamento real

O planejamento é elaborado para atingir objetivos de curto, de médio e de longo prazos, considerando as diversas variáveis que interagem de forma a conformar o que se quer perseguir e os resultados desejados. Em geral o planejamento é ajustado sempre que há uma modificação das premissas ou diretrizes que o embasaram, mas perpetua a filosofia que norteou sua elaboração. Ou, como poderiam sofismar alguns: é uma trilha, e não um trilho.

Quando em dado planejamento se estabelece uma diferença de 50% entre o previsto comparado ao realizado, alguma coisa está faltando para dar maior acuidade. Nestes casos quase sempre se poderia afirmar que o planejamento em questão é simbólico, onírico e, consequentemente, não foi elaborado considerando as principais variáveis. Logo, sua utilidade é panfletária, e nula sua credibilidade.

Infelizmente, a perda da credibilidade impõe uma resposta consistente para que não nos enganemos e venhamos a acenar com soluções paliativas e temporais, como podemos constatar no planejamento do setor elétrico brasileiro quando indica que não haverá necessidade de térmicas nem mesmo de nucleares e que as energias produzidas sazonalmente, pela biomassa, solar e eólica, poderão substituir a geração hidrelétrica enquanto houver restrições ambientais. Como antídoto à constatação do problema, os agentes do setor começam a indicar que o planejamento determinativo, em contraponto ao indicativo, é melhor.

De nada adiantaria essa solução, posto que as variáveis ambientais, a disponibilidade de recursos financeiros, a existência de sazonalidades e o incremento no custo de produção estarão presentes e, se não forem cerceados, poderão causar decisões precipitadas e casuísticas.

Para ilustrar nossa percepção, reproduzimos notícias oriundas da Espanha, um dos países que mais têm desenvolvido energias renováveis nos últimos anos, onde o governo demonizou por meio de um estudo as nefastas consequências econômicas das energias renováveis, no caso, basicamente a solar e a eólica. As notícias nos dão conta de que o aspecto econômico da implantação das energias renováveis é bastante negativo em razão dos enormes subsídios. O governo informa que, entre 2004 e 2010, os subsídios foram multiplicados por cinco, fazendo com que, mesmo assim, o incremento do custo da produção de energia elétrica por essas fontes renováveis elevasse em mais de 120% a fatura ao consumidor. Segundo o próprio governo, nos próximos 25 anos o setor das energias alternativas receberá 126 bilhões em subsídios.

Na Espanha, a atual crise econômica eliminou alguns mitos dos investimentos em energias alternativas. Foi constatado que o seu desenvolvimento teve um impacto positivo na redução das emissões, porém o seu crescimento foi demasiado rápido, o que implicou enormes subsídios e penalização do contribuinte espanhol. As cifras do governo indicam que cada "emprego verde" criado pelo programa incentivado das energias renováveis custou mais de 2,2 empregos tradicionais. Só um exemplo. Os proprietários de plantas solares fotovoltaicas ganham 12 vezes mais do que se paga pela energia proveniente dos tradicionais combustíveis fósseis.

O caso da Espanha é emblemático e deve ser analisado com a profundidade necessária para entender a extensão, as causas e as consequências da atitude de subsidiar porque é "fashion" e politicamente correto.

A substituição das hidrelétricas, simplesmente, por fontes alternativas leva a uma perda da credibilidade no planejamento do setor elétrico brasileiro. O Brasil não é um país pobre, mas é um país de pobres. Portanto, a implantação de geração com fontes alternativas como a eólica e a solar devem ser feitas com muito cuidado e sem que se queira imitar os países de alto nível de renda, ao estabelecer subsídios à custa do contribuinte.

SÃO, RESPECTIVAMENTE, DIRETOR DO CENTRO BRASILEIRO DE INFRAESTRUTURA (CBIE); E ENGENHEIRO, CONSULTOR NA ÁREA DE ENERGIA E NEGÓCIOS E DIRETOR DA ABEL HOLTZ & ASSOCIADOS

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100814/not_imp594866,0.php

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