A sede do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) de Bauru foi palco, recentemente, do Fórum Regional de Eficiência Energética em Empresas. Na ocasião foram discutidas medidas para otimizar o consumo e o uso de energia nos setores industrial, comercial, agrícola e de transporte, como alternativas para atingir um nível de eficiência energética, que vai permitir às empresas aumentarem a lucratividade de forma sustentável e, conseqüentemente, tornarem-se mais competitivas no mercado.
Um dos palestrantes foi o mestre em engenharia civil pela Universidade de São Paulo (USP) Ênio Akira Kato. Ele abordou o tema “Eficiência energética como fonte de lucros e mais competitividade. Os benefícios que uma gestão elétrica eficiente trará para sua empresa e para o mundo”.
De acordo com ele, o cenário internacional tem influência significativa nas ações com este enfoque. “A projeção de um cenário de inflação faz com que governos e indústrias façam programas de eficiência energética”, salientou.
Mas o que são esses projetos? Entre as ações que podem melhorar o desempenho das empresas, é necessário entender como, onde e quando a energia é consumida. A partir daí, estabelecer a relação entre o consumo e o uso. “Quando há consumo e não o uso, gera o desperdício, por isso é importante ressaltar esse ponto”, afirmou.
Base
De acordo com Kato, o principal alvo dos projetos de eficiência são as pequenas e médias empresas, já que muitas empresas de grande porte já estão investindo em tecnologias que permitem implantar esses projetos. “Um dos objetivos desse fórum é levar esses conceitos para todos os empresários, para que eles conheçam e saibam que é uma ferramenta válida na busca da competitividade e lucratividade das empresas”, disse, afirmando que, apesar das grandes empresas darem bons exemplos, é na base - onde estão as pequenas e médias - que esse trabalho deve ser feito com maior intensidade.
Para atingir um nível de eficiência energética, a primeira etapa, segundo Kato, é organizar as informações que já existem na empresa, as contas de energia, os gastos, o consumo e, a partir daí, fazer uma análise de como essa energia está sendo consumida. Com essas informações, é possível fazer um levantamento de oportunidades na busca da eficiência energética.
Um ponto que o engenheiro apontou como fundamental na implantação de um projeto de eficiência é a participação de todos os colaboradores, sem exceção. Segundo Kato, o projeto tem melhores resultados quando é disseminado em todos os níveis da empresa, seja na parte administrativa, na engenharia, e até na alta gerência.
“Nós temos certeza que o consumo será melhor disciplinado quando há participação de todos os envolvidos. Há casos em que os resultados não foram alcançados porque não houve o envolvimento, treinamento e comunicação aos funcionários. Na medida em que o colaborador não participa, os resultados não aparecem”, frisou.
Apesar do assunto ser relevante para empresas de todos os portes, a participação dos empresários no fórum deixou a desejar. Havia 11 pessoas no auditório do Ciesp, sendo que seis eram representantes de empresas de Botucatu, Jaú, Avaré, Gália, Presidente Prudente e Macatuba. Na abertura do evento, o diretor do Ciesp, Domingos Malandrino, lamentou a ausência de mais empresários.
O evento, que já foi realizado em São Carlos, Rio Claro, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto, é promovido pelo Ciesp, Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Associação Brasileira das Empresas de Conservação de Energia (Abesco) e Petrobras/Conpet.
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Impacto ambiental
O físico e doutor em energia Márcio Vilella, abordou a questão do impacto ambiental causado na fabricação de alguns produtos, no evemto no Ciesp . “Hoje há uma reação do consumidor, exigindo que se produza cada vez mais produtos ambientalmente corretos. Dessa forma, os empresários sofrem pressão da sociedade e sofrem a pressão financeira sobre sua produção, pois os custos estão cada vez mais elevados”, disse.
Esse cenário se reflete diretamente no faturamento das empresas. Para ele, os empresários que não assumem posturas que contemplem essas demandas e o problema de custos perdem em competitividade. “A eficiência energética vai ao encontro dessas questões, como forma de aprender a usar de maneira racional os recursos energéticos, sem perda de qualidade”, frisou, afirmando que, em geral, as empresas que trabalham com eficiência energética melhoram o produto final.

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