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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Com mais gás, Petrobras avança no setor elétrico


Consumo do produto cresceu 16% até abril. Em entrevista ao iG, Graça Foster antecipa preparativos para o leilão de energia

Sabrina Lorenzi, iG Rio de Janeiro | 18/04/2011 17:19

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Foto: Helio Motta Ampliar

Graça chama de "meu bebê" livro que mostra a expansão de gasodutos

O Brasil vive uma virada no mercado de gás natural. As descobertas do pré-sal, a expansão da malha de gasodutos e a possibilidade de importar o insumo comprimido em navios formam um cenário oposto ao experimentado há quatro anos, quando a Petrobras precisou inibir o consumo. Na ocasião, temerosos da escassez do gás, alguns empresários e motoristas chegaram a trocar o combustível usado em fábricas e automóveis. No setor elétrico, a estatal deixou de honrar contratos de entrega do produto com as térmicas.

Desde o ano passado, o consumo de gás natural voltou a crescer. De janeiro a abril de 2011, a demanda média aumentou 16% sobre o mesmo período de 2010 – que já era uma base elevada de comparação, num momento de recuperação econômica.

"Hoje não temos dificuldades para atender a todos os segmentos. Tudo é muito planejado, quantificado, fazemos uma análise de risco muito grande. Gás e energia é uma área em que se precisa tomar risco, mas temos que ter planos B, C, D, E", afirma a diretora de Gás e Energia da Petrobras, Graça Foster, em entrevista ao iG. "Não há mais risco de faltar suprimento até 2020, no que se refere à ação da Petrobras", acrescenta.

De acordo com a executiva, a Petrobras desenvolverá cada vez mais o mercado consumidor, já que a oferta de gás nacional vai continuar crescendo e não há previsão de interromper a importação do insumo da Bolívia. Um dos destinos para ampliar o consumo é o setor elétrico, onde a empresa já abastece 47 térmicas com capacidade de geração de 8,3 mil MW – mais que a capacidade de Tucuruí, a maior hidrelétrica brasileira.

A Petrobras cogita voltar a investir no setor elétrico, após alguns anos sem participar da construção de usinas térmicas. A estatal tem participado dos leilões anuais de energia nova, promovido pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), mas apenas como fornecedora de gás para quem se compromete a construir usinas. O próximo leilão ocorre até o final de maio, mas o prazo para se candidatar a contratos de venda de energia termina nesta terça-feira (19).

"No dia 19, as térmicas que têm contrato de gás vão se candidatar ao próximo leilão. Eu estarei lá possivelmente com uma térmica, como geradora. Mas tb estarei lá como fornecedora de gás", conta.

66 pedidos para térmicas

Graça revela que recebeu para o leilão 66 pedidos para contratos de abastecimento de gás natural, num total de 108 milhões de metros cúbicos por dia para a geração de 21 mil MW. Destes, 35 pedidos para térmicas que vão consumir 52 milhões de metros cúbicos e gerar 10 mil MW conseguiram apresentar documentação exigida pela Petrobras. E ainda haverá outro filtro, que limitará o número de candidatos ainda mais ao leilão. O total de energia contratado no leilão, por sua vez, não deverá passar de 2 mil MW - o que mostra que haverá forte disputa no mercado de energia. No último leilão deste tipo, 49 usinas foram cadastradas, num total de 15 mil MW. Mas a Petrobras não se cadastrou na ocasião.

"Agora temos gás, gasoduto, estação de compressão, tudo. Tínhamos perdido o lastro das térmicas porque não tínhamos gás, então não podíamos entrar na venda de energia. Mas agora recuperamos o lastro de todas as térmicas, fizemos todas as obras", justifica a diretora.

Em cinco anos, a Petrobras construiu 5 mil km de gasodutos, como destaca, com orgulho, Graça Foster."Este aqui é o meu bebê", brinca Graça, mostrando um livro grosso de capa dura que mostra os gasodutos construídos recentemente.

Foto: Petrobras/Divulgação

O gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau) atravessa a Mata Atlântica

Produção cresce 60% em 2011

Neste ano, com o início de operação do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté (Gastau), o aumento na produção de gás nacional deverá ser da ordem de 60%, dos atuais 30 milhões de metros cúbicos para 49 milhões de metros cúbicos por dia. Por meio dele, a Petrobras vai escoar a produção de gás natural dos campos Mexilhão e Uruguá-Tambaú, localizados na Bacia Santos, para o mercado consumidor. Também neste gasoduto passará o gás proveniente do campo de Lula (ex-Tupi) e de outras áreas do pré-sal de Santos.

Além do gás nacional, a Petrobras conta com um contrato de importação da Bolívia que prevê a compra de 24 milhões a 31 milhões de metros cúbicos por dia do país vizinho. E construiu terminais de regaseificação para o consumo de Gás Natural Liquefeito (GNL), com capacidade para importar 21 milhões de metros cúbicos por dia.

Indagada sobre a possibilidade de a Petrobras se tornar exportadora de gás, Graça Foster responde que melhor é estimular o mercado interno. "O melhor resultado que a Petrobras pode ter é desenvolver o mercado interno. Se a gente vier a atuar como exportador será como um exportador oportunista no mercado spot e a gente precisa ter desenvolvimento interno no mercado interno mais forte, mais vigoroso, para que a gente possa absorver o máximo de gás no Brasil e compensar as volatilidades do mercado. Mas eventualmente é possível que a gente exporte", afirma.



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Sandro Geraldo Bagattoli
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